Como os candidat@s estão inovando em suas campanhas

Mais do que atualizar as redes sociais diariamente, há candidat@s utilizando outros formatos e novas tecnologias para garantir um modelo de campanha diferente do que estamos acostumad@s a ver (santinhos, panfletos, etc). Claro que isso não significa ganhar as eleições, mas é um experimento da Política 2.0

Em um país onde as palavras crise e golpe são as mais ouvidas, ter esperança parece utopia. Mas Marcio Black, candidato a vereador de São Paulo pelo partido Rede, criou uma playlist no Spotify com trilhas sonoras para o futuro. Assim como ele, Maria Rita Casa Grande, candidata a vereadora de São Paulo pelo PSOL, vem mostrando em seus vídeos e rodas de conversa que a utopia pode virar realidade, quando ativistas mulheres, negras e LGBTs ocuparem um cargo no Legislativo.

Corrupção também é o que costumamos ouvir e é tudo que não queremos. Por isso, Marcelo Freixo, candidato à prefeitura do Rio de Janeiro pelo PSOL, iniciou uma campanha de financiamento coletivo para receber apoio de pessoas físicas. Freixo acredita que “o caminho de combate à corrupção não é moralista, é a reforma política” e o fim do financiamento privado de campanhas é um passo para isso.

Sobre ouvir as pessoas para construir propostas, Eric Pereira, candidato a vereador de Salvador pelo PTN, lançou um aplicativo para receber sugestões e garantir a transparência de sua campanha. Isa Penna, candidata a vereadora de São Paulo pelo PSOL, criou uma plataforma chamada SP pras Minas, para estabelecer laços com os coletivos e pessoas interessadas em construir coletivamente propostas com foco no combate ao machismo em São Paulo.

PS:  Mais do que se encantar pelo uso das ferramentas que @s candidt@s estão utilizando, leia as propostas de tod@s candidat@s antes de votar e veja se faz sentindo para a cidade que você quer ver nos próximos 4 anos.

Caso Mexicano

Pedro Kumamoto  é um deputado mexicano de apenas 25 anos. Ele foi o primeiro candidato independente a ganhar uma eleição, com um orçamento mínimo e conseguiu preencher uma posição de representação popular em Jalisco, no México. Isso graças a mobilização estratégica dos integrantes do movimento Wikipolítica. Kumamoto utiliza transmissão ao vivo do Facebook em suas reuniões e criou um coworking no Congresso para que a sociedade civil possa utilizar para pensar novas formas de fazer política através de colaboração em rede.

Red de Innovación Política en América Latina

A Red de Innovación Política en América Latina busca aproveitar as oportunidades que as novas tecnologias proporcionam para gerar uma cultura hacker em relação aos sistemas políticos. Isso significa acessar e modificar a política através de novas práticas cidadãs com o usos das novas tecnologias.

3 ideias geniais para inovar a política e tentarmos transformar este cenário

Medialab-Prado (Espanha): é um laboratório nacional de produção, pesquisa de projeto cultural que explora as formas de experimentação e aprendizagem colaborativa que surgiram a partir de redes digitais. Ele faz parte do Departamento de Cultura e Esportes da Câmara Municipal de Madrid. Para o Medialab-Prado oferecer várias formas de participação que permitem que pessoas com diferentes perfis (artística, científica, técnica), os níveis de especialização (peritos e iniciantes) e graus de implicação, a colaborar, eles oferecem um espaço de informação, consultoria e encontros, com a presença de mediadores culturais que explicam a natureza do espaço e conectam pessoas diferentes e projetos com o outro; concursos abertos para a apresentação de propostas e a participação no desenvolvimento de projetos colaborativos; programa de atividades que compreende workshops, seminários e debates, bem como as reuniões dos diferentes grupos de trabalho, exposições, conferências e outros eventos, como concertos e performances.

DemocracyOS  (Argentina): é plataforma online em código aberto onde é possível ter informações, discussão e votação de propostas do Poder Legislativo. Usando esta ferramenta, os cidadãos podem designar uma lista de projetos de leis. Após a conclusão do processo de seleção, as três iniciativas mais votadas irão para outra instância no mesmo local onde serão discutidas. Lá é possível discutir com profundidade cada projeto selecionado, avaliar os argumentos e votar neles como fazem os legisladores.

Update (Brasil): plataforma que reúne 700 iniciativas, de 21 países da América Latina com práticas de políticas emergentes. A proposta da Update é permitir que se conheça um pouco do universo das novas práticas políticas. É possível explorar os resultados variando as múltiplas combinações de filtros e permitindo análises próprias. Ou seja, é um banco de projetos inovadores para aumentar o engajamento dos cidadãos  com as políticas públicas na América Latina

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Somos todos hackers!

O que passa pela sua cabeça quando você ouve a palavra hacker? Provavelmente a imagem de um bandido na web, ladrão de informações, invasores e ameaça para sociedade, como essa imagem abaixo.

É, pode até ser. Mas seria legal entendermos as múltiplas formas de um hacker.

A democracia na América Latina está em crise. Há quem diga que os Estados Unidos estão promovendo essa desestabilização. Tratando-se do Brasil, o cientista político e historiador Luiz Alberto de Vianna Moniz Bandeira, citou em uma entrevista as iniciativa do Partido dos Trabalhadores que contrariam os Estados Unidos, como por exemplo a criação do Banco do BRICS e o regime de partilha para o pré-sal. Sem contar que a presidente Dilma foi espionada pela NSA e não cedeu aos EUA em outras questões de política internacional.

Uma coisa é certa: nós, jovens, não nos sentimos representados pelo que está aí. Não é a toa que existe milhares de coletivos, grupos fazendo uma nova política. Política na rua, na esquina, na quebrada, nas praças e nas redes.

Todos esses coletivos são compostos por hackers que nem ao menos sabem que são hackers. Eles atuam politicamente, num sistema falido e para transformá-lo. Esse é o papel do hacker político: entender como funciona a política, se apropriar das ferramentas já existentes, compartilhar informações e reinventar.

Então você já pode mudar imagem do hacker malvado para este hacker:

BE-A-BÁ DO HACKER POLÍTICO

  1. Identifique a sua causa

São muitos problemas pra gente resolver. Mas o que te deixa mais angustiado? O Desabafo Social acredita que o primeiro passo para dar certo, é identificar aquilo que te  faz vibrar. Vibrar ao debater, vibrar ao querer realizar, vibrar porque você acredita que pode transformar para melhor, vibrar pela causa!

  1. Dê três voltas em sua rua

Se você quer mudar o mundo, é porque não está satisfeito com o que está aí. Procure saber os motivos de nada está dando certo e com você pode colaborar para dar certo. Mas primeiro conheça sua rua, seu bairro, sua cidade, seu estado e depois seu país. Vá sem pressa e sempre!

  1. Acredite que você pode

Não adianta querer mudar o mundo começando com a frase “ E se..”. Esqueça isso! Você pode fazer o que você quiser. Faça o que seja bom pra você e para o próximo.

  1. Utilize o que está ao seu alcance

Comece com o que tiver. Pode ser uma folha de ofício, um caderninho, um computador com acesso à internet ou uma palavra. Utilize as ferramentas que você tem em mãos.

  1. Mostre que é possível

Depois de identificar a causa, de entender como funciona sua rua, bairro, cidade, de acreditar na sua ideia e utilizar o que está ao seu alcance, as pessoas irão acreditar também e se identificar com a sua causa. Quando você acredita muito que pode, você consegue encontrar pessoas que podem colaborar com sua causa. Aos poucos as pessoas vão se aproximando para somar e realizar junto. Você vai ver que a causa não é individual, é coletiva.

TIPOS DE HACKER POLÍTICO

Os hackers são como mutantes que se interligam com outros para fortalecer sua rede de atuação. Existem vários tipos, conheça os mais comuns:

  1. Hacker Ativista Digital

Quem nunca utilizou as ferramentas digitais para denuncias violações de direitos, sugerir propostas, acompanhar votações etc? O hacker digital entende a internet como outra esfera de socialização para mobilizar pessoas entorno de uma causa ou várias causas.

  1. Hacker Ativista da Profissão

Provavelmente, todo mundo deve conhecer alguém que utiliza suas habilidades profissionais para ressignificar a cidadania. Um exemplo bem simples é o jornalista. O jornalista vai para as manifestações, registra o ocorrido e divulga o seu olhar político sobre o que aconteceu. O professor também é um bom exemplo. Utiliza seu conhecimento profissional com o ativismo.

  1. Hacker Empreendedor

Esse tipo de hacker identifica o problema e já começa a empreender em cima disso. Cria um negócio social buscando soluções práticas. Pode ser através de uma plataforma digital ou consultorias. O hacker empreendedor está preocupado em mudar o mundo através de ferramentas de participação.

  1. Hacker das Ruas

Utiliza o espaço público para realizar manifestações culturais, debates, promover encontros e pensar soluções para a cidade.

#FICADICA

Se inspire com alguns hackers que estão realizando trabalhos incríveis em diferentes áreas de atuação

  1. Civic Stack

Duas organizações da Argentina, Asuntos del Sur e Democracia en Red e criaram um portal chamado  Civic Stack. Essa plataforma é compartilha aplicativos abertos de diversos países, que foram desenvolvidos por cidadãos, organizações ou governos que buscam ampliar a participação democrática e inovar nas soluções para os problemas que enfrentam as sociedades. A ideia é fornecer acesso fácil as ferramentas digitais para os ativistas e organizações incentivar a participação social e fortalecer seus processos organizacionais e de tomada de decisão.

Acesse http://www.civicstack.org/

  1. Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Comunicadores (RENAJOC)

A Renajoc utiliza mídias alter  realiza ações que buscam unir adolescentes e jovens do Brasil para chamar a atenção para o Direito Humano à Comunicação, fazendo coberturas colaborativas de eventos relevantes para os adolescentes e jovens e integrando debates nacionais sobre adolescência, juventude e comunicação. Por conta disso, a rede criou o “DIA C” – Dia Nacional da Juventude Comunicativa, comemorado em 17 de outubro juntamente  com o Dia da Democratização da Comunicação.

Acesse http://renajoc.org.br/

  1. Jornalistas Livres

O coletivo de Jornalistas Livres realiza cobertura colaborativa contra a manipulação política da mídia tradicional, buscando narratividades independentes. Eles utilizam o conhecimento profissional com o ativismo.

Acesse https://medium.com/jornalistas-livres

  1. Ocupa Lapa

São hackers das ruas que ocupam o bairro da Lapa, no Rio de Janeiro, realizando ações culturais e artísticas. O “Ocupa Lapa” nasceu para repudiar as ações violentas da polícia no bairro, durante as manifestações de junho. O objetivo é promover reflexão nas pessoas através manifestações artísticas.

Acesse: https://www.facebook.com/OcupaLapa

O hacker sabe que é preciso fazer parte e entender o sistema que existe para poder transformá-lo! Por isso não esqueça de assumir a responsabilidade, se dedicar ao processor, propor soluções , por a mão na massa e não deixar a peteca cair.

BEABA

Regulamentação da mídia não é censura. Para de falar besteira!

Você se enxerga na TV brasileira? Estamos hoje melhores do que ontem, em relação ao direito à informação e à liberdade de expressão?

O Partido dos Trabalhadores (PT) aprovou uma resolução política que pede a criação de um marco regulatório para a mídia.  Mas por que há pessoas e partidos que são contra? Calma! Não grite que regulação da mídia é censura, sem saber exatamente o que é. Keep reading →

Sobre São Paulo, vai a dica de leitura.

Se você quer saber um pouco mais sobre São Paulo, principalmente sobre as juventudes paulista, não pode deixar de ler as dicas que darei aqui. Keep reading →

Todos deveriam saber que esse ano as eleições são para Presidente, Senador, Governador , Deputado Federal e Estadual. Vou começar com meu voto para presidência. Então vamos lá! “Pensou que eles foram agressivos com o Aécio e o Eduardo? O que dizer das caras e tons de voz em relação à Dilma? Eu sou totalmente a favor da pressão, mas essa entrevista foi vexame do jornalismo em rede nacional… Não sou nenhuma entusiasta, mas, se ela ainda irrita tanto essa turma do JN, há motivos para votar na Dilma” – Ana Flávia. Keep reading →

Vamos fazer uma simples equação: A paga 10X para B. Depois de 1 ano B consegue multiplicar esse valor e fica com 100X. Agora B vai devolver os 10X para A. Agora imagine que A é uma empresa e B é um candidato super da “moda.” O que vai acontecer depois? Se você falou corrupção, acertou!

No Brasil o sistema de financiamento é misto, ou seja, pode levantar fundos através do Fundo Partidário (abastecido por dotações orçamentárias da União, o qual 5% são divididos, em partes iguais e os 95% são distribuídos de forma proporcional aos votos obtidos na última eleição geral para a Câmara dos Deputados) e através de pessoas físicas e/ou empresas.

Seguindo a lógica do quem não é visto não é lembrado, você já percebeu que sempre tem um candidato que aparece mais na TV, com imagens lindas e com pessoas felizes ao seu redor, diversos santinhos etc? Esse é o candidato que está alinhado com as “necessidades políticas da empresa” e que tem mais chance de ganhar. Logo, ganhando as eleições, deverá andar de mãos dadas até o fim do seu mandato com a empresa que o financiou.

Vale destacar que pessoas jurídicas não votam e não podem ser votadas. E, mesmo sem direitos políticos, o capital que determina o resultado das eleições. Financiamento privado favorece exclusivamente quem tem mais dinheiro. Tem como um sistema desse dá certo?

Mas, ainda há esperança! No dia 02 de abril deste ano, a maioria dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) se posicionou contra ao financiamento privado de campanhas políticas. Como estava muito bom para ser verdade, o ministro Gilmar Mendes pediu vistas do processo. Enfim.. Vamos acompanhar o final dessa história.

1922965_4 Finalmente terminei de ler Os clássicos da política de Francisco C. Weffort. Recomento e muito!

Considerando o contexto histórico do século XVIII, pode-se perceber que o fascínio pela ciência e pela razão marcou esse século, também conhecido como Século das Luzes. O iluminismo foi a “filosofia do terceiro estado”, só transpondo estas concepções filosóficas na França, quando se transformou numa doutrina política e social. Com características contrárias à política mercantilista, ao poder absoluto dos reis e ao poder do clero, o Iluminismo foi um movimento ligado à classe burguesa, que procurava utilizar a razão para formular os conhecimentos. Destacam-se o John Locke, Montesquieu, Voltaire e Rousseau como os pensadores que mais influenciaram nessa época. Os preceitos iluministas estavam em contradição com a estrutura social, política e econômica do Antigo Regime desencadeando assim, a Revolução Francesa.

Tratando-se de forma breve da Revolução Francesa, com a decadência do absolutismo da França, o país envolveu-se em guerras nas quais perdeu colônias e se endividou. A Revolução Francesa aboliu servidão e proclamou os a declaração dos direitos do homem e do cidadão, de liberdade de igualdade e de fraternidade”, frase de autoria. A partir desses princípios, os iluministas em 1789 votaram definitivamente na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão acabando com o Antigo Regime, provocando a ascensão da classe burguesa.

A ascensão da burguesia no século XVIII passou a titular o Estado como ordem jurídica, tornando-o exterior a sociedade. Para o filósofo iluminista, Jean-Jacques Rousseau, o Estado é a composição orgânica passiva é um ente moral que existe e exprime a vontade geral e sua existência como fruto do contrato social estabelecido entre os homens.

A partir da mudança de pensamento do Teocentrismo para o Antropocentrismo, onde a primeira diz que o desejo divino é superior a vontade humana, e a segunda o homem passa a ser o centro de tudo, ou seja, o homem é capaz de deliberar ações na sociedade, a concepção de Estado ganhou importância.

Segundo Norberto Bobbio, a primeira vez que a palavra Estado foi utilizada, com o seu sentido contemporâneo, foi no livro O Príncipe, de Nicolau Maquiavel. Para Maquiavel, o Estado não tem a função de assegurar a felicidade e a virtude, como afirmava Aristóteles(1998 apud DALLARI p.103) que somente entre homens livres seria possível um direito em sentido político e que sem este direito não haveria Estado.

Também não era mais a preparação para o Reino de Deus, como imaginavam os pensadores da Idade Média. Ele defendia um Estado unitário e absoluto fundado no poder centralizado e no terror.

Além de Maquiavel, existiram outros pensadores que conceituaram o Estado. Segundo Hobbes, o estado de natureza era o estado de guerra, visto que cada um buscava seus interesses e sua sobrevivência através do uso da força. Para garantir segurança à vida, os homens estabeleceram um contrato entre si, transferindo para um terceiro, a força coercitiva da comunidade, em troca da liberdade natural. Desta forma, o homem passa do estado de natureza para sociedade civil, onde o Estado é o soberano que detém o poder para delimitar a lei, devendo intervir em questões que gerem conflito e guerra. Ao contrário do contratualista Hobbes, Locke o estado de natureza era de relativa paz e harmonia, onde os homens eram dotados de razão e desfrutavam da propriedade. Esse defendia a idéia de que o Estado é soberano, porém sua soberania surgiu a partir de um contrato social. Logo, o Estado deveria respeitas as leis naturais e civis, preservando os direitos individuais.

Em sua acepção filosófica, Kant considera o Estado como instrumento regulador entre propriedade e liberdade, representando a soberania do povo, mas está acima dessa soberania. O ato pelo qual um povo se constitui num Estado é o contrato original. A se expressar rigorosamente, o contrato original é somente a ideia desse ato, com referência ao qual exclusivamente podemos pensar na legitimidade de um Estado. De acordo com o contrato original, todos no seio de um povo renunciam à sua liberdade externa para reassumi-la imediatamente como membros de uma coisa pública, ou seja, de um povo considerado como um Estado. E não se pode dizer: o ser humano num Estado sacrificou uma parte de sua liberdade externa inata a favor de um fim, mas, ao contrário, que ele renunciou inteiramente à sua liberdade selvagem e sem lei para se ver com sua liberdade toda não reduzida numa dependência às leis, ou seja, numa condição jurídica, uma vez que esta dependência surge de sua própria vontade legisladora. (IMMANUEL KANT, pág.158).
Contrapondo o pensamento liberal, Marx afirma que o Estado é o fenômeno histórico oriundo da aparição da luta de classes na sociedade.

Tratando-se do Estado e da soberania popular, para Rousseau o Estado é o conjunto de membros que formado pelo corpo político e social, onde trabalhando para a coletividade trabalhava para si mesmo. Existindo as vontades próprias individuais, e também existindo as vontades do coletivo. Cada homem é legislador e sujeito, obedecendo a leis que lhe são favoráveis. O tratado social tem por finalidade conservar os contratantes.

Ele idealiza uma reforma social na qual o homem participa intensamente em todas as fases do Estado. Segundo Rousseau, os homens para se protegerem, unem-se e formam um conjunto de forças com o único objetivo de conservar a liberdade e a igualdade. O Estado existe para o bem comum e a vontade geral deve dirigi-los para esse fim e o corpo político é formado pelo Estado quando passivo e pelo Soberano quando ativo.

Nas palavras de Rousseau o homem nasce livre e tornasse prisioneiro, pois aquele que se crê senhor de todos é tão escravo quanto esses. O homem só torna-se livre a partir do momento que se une como um povo para exerce sua soberania. Desse modo pode-se defender os fracos dos opressores, conter os ambiciosos e assegurar a cada qual o quinhão que lhes cabe. Institui-se os regulamentos de justiça e de paz, não podendo ninguém se opor ou se beneficiar devido às suas posses.

Dessa forma o homem perde sua liberdade natural para em troca adquirir sua liberdade civil. Nesse processo de legitimação do pacto social, as partes se fundamentam na condição de igualdade social.

O principal cuidado que o Estado deve ter é com a manutenção de uma força universal e compulsória para mover e dispor cada uma das partes da maneira mais conveniente para o todo.

Em sua obra O Contrato Social, Rousseau dá ênfase ao conceito de soberania. No Livro I, Capítulo VI, diz que o contrato social gera o corpo político, chamado Estado quando passivo, Soberano quando ativo e Poder quando comparado com os semelhantes. No Livro II dedica o Capítulo I à demonstração de que a soberania é indivisível, infalível e absoluta. É considerada indivisível, pois a vontade só poder ser geral. É infalível porque a vontade geral é sempre justa e é absoluta porque o pacto social dá ao corpo político um poder absoluto sobre todos os seus membros, e este poder é aquele que, dirigido pela vontade geral, leva o nome de soberania, ou seja, a associação dos indivíduos, que passa a atuar de forma soberana em prol de todos.

Rousseau pretende investigar na sua obra O Contrato Social se pode haver, na ordem civil, alguma regra na administração, legítima e segura, que tome os homens como são e as leis tais como podem ser. A partir do momento que o homem passa do estado de natureza para o estado civil ele adquire o exercício e desenvolvimento de suas faculdades, a extensão de suas ideias, ganha a liberdade civil e a propriedade de tudo o que possui.

Rousseau explica em sua obra que a vontade geral visa o bem de todos, enquanto a vontade de todos vislumbra apenas interesses particulares. Logo, a vontade geral delibera as forças do Estado, sendo o bem comum o fim da instituição do Estado. Aquele que recusa a obedecer à vontade geral será forçado a ser livre, pois a recusa à obediência advém do constrangimento do corpo em conjuntos. Além disso, desde o momento que a vontade geral torna-se objeto individual e determinado, ele perde sua retidão natural.

A institucionalização de um governo se dá através da lei, e não por meio de um contrato, o qual o poder executivo não atua como senhores, mas sim como funcionário do povo. O contrato entra no sentido de apontar o povo como fonte original do poder.  A soberania popular representa o Estado, que é porta-voz de todo o querer do povo, sendo desse modo a soberania indivisível e inalienável, garantidora do interesse geral e não de setores particularizados (ou pelo menos deveria ser, segundo Rousseau).

 

 

Falar sobre o MST não é nada fácil. E não me arrisco tanto a falar. Mas vamos lá! Nunca parei para ler realmente sobre o movimento, apesar de uma amiga-irmã ter nascido e crescido nos assentamentos e eu ter contato com ela, mesmo que distante.

A criminalização dos movimentos sociais na mídia transmite uma noção de verdade absoluta e inquestionável. Fora que o Ministério de Defesa considera os movimentos sociais como “força oponente” , tal como organizações criminosas. (http://www.redebrasilatual.com.br/politica/2014/01/ministerio-da-defesa-iguala-movimentos-sociais-a-criminosos-e-os-considera-forca-oponente-8022.html). Aí pronto!

Os objetivos do MST estão explícitos no site www.mst.org.br: Lutar pela Terra, Lutar por Reforma Agrária e Lutar por uma sociedade mais justa e fraterna. Sendo que os objetivos estão garantidos na Constituição Federal, especificamente no capítulo III – Da Política Agrícola e Fundiária e a Reforma Agrária.

Considerando que o MST é um movimento orgânico de pessoas e que uma das bandeiras levantadas pelo movimento é o acesso à cultura relacionado com a dignidade e formação de valores, percebe-se a amplitude do conceito de cultura. Para o MST, o primeiro passo para mudança social é através da cultura ideológica e enquanto arte, ou seja, mudança na forma que escuta a música, como constrói o poema, como se veste, o que compra , o que produz , o que reproduz etc. Cultura para o MST é o jeito de viver, produzir e de reproduzir a vida, baseada na construção cotidiana de novos conhecimentos que são fortalecidos e renovados todos os dias.

Vale destacar uma coisa interessante. Antes do governo Lula, havia algumas políticas do governo anterior direciona aos trabalhadores sem terra, mas não houve sucesso e essas políticas públicas nunca se efetivaram. Sérgio Mamberti ficou encarregado em desenvolver a Secretaria da Diversidade Cultural, em que esteve por seis anos durante o primeiro governo Lula. O ministro Gilberto Gil e Sérgio Mamberti , criaram, junto ao MST, uma Rede Cultural da Terra. Isso passou a ser cada vez mais uma questão estratégica para que o Movimento pudesse se fortalecer culturalmente, politicamente, e do ponto de vista da cidadania.

A Rede Cultural da Terra é a iniciativa governamental de fomento à produção cultural do meio rural brasileiro. Os projetos são guiados por meio de parcerias entre os grupos, representados por seus entes e agentes, e órgãos representativos do Governo Federal. Tem como objetivo constituir e identificar uma rede de atividades tomando como referencial a produção cultural no campo, seguindo as diretrizes do programa: realizar oficinas de capacitação, atividades ligadas às artes plásticas, artes cênicas, artes visuais, literatura, música, artesanato, oficinas de cultura digital e mapeamento da memória cultural dos trabalhadores do campo.

Sobre o governo Lula finalizo por aqui, para que você, leitor, não ache que estou exaltando e colocando o PT no pedestal. Mas que é verdade isso que falei, é.

Mais do que ocupar terra, é o uso do que foi conquistado para troca de experiências, potencializar a cidadania, educar etc.

Um exemplo é o Cinema na Terra. As primeiras projeções foram realizadas na Marcha Nacional pela Reforma Agrária, em 2005. No início, foram exibidos curtas sobre a história do MST e da luta pela terra. Entre eles, Raiz Forte e Caminhando para o Céu. Agora, o projeto parte para a exibição de longas. Outro projeto legal é o Sem Terrinha. O Sem Terrinha, pelo nome já dá para perceber que é voltado ao público infantil, estimula as crianças à produção de conhecimento, através de atividades lúdicas até a participação de plenárias informativas e por ai vai..

Enfim, são várias iniciativas legais do MST que não iremos ver na mídia. Não deixarei nenhum outro link aqui. A busca é mais divertida e vai ser uma aventura surpreendente. Dá um procurada!

Segundo Bobbio “O poder político, enfim, fundamenta-se sobre a posse dos instrumentos através dos quais se exerce a força física (armas de todo o tipo e grau): é o poder coativo no sentido mais estrito da palavra”. Isto é, o poder político é o único que possui a exclusividade do uso da força como veículo de coação. Além disso, assegura e promove a segurança pública e a paz social.        Partindo desse pressuposto, há uma linha tênue entre política e moral? Tudo que é lícito é moral? O que é moral?Essas indagações levam a refletir sobre a influência da mesma nos sistemas políticos dos Estados.

      De acordo com Kant, agir moralmente é proceder com uso da razão, ou seja, o homem, enquanto ser singular é conduzido pela sua consciência a executar determinada ação de acordo com o que seria bom para si. Considerando o âmbito jurídico, o princípio de moralidade se dá através do cumprimento da lei dentro de um respectivo território. Isto é, a moral varia de acordo com o tempo e com os costumes. Sendo assim, todos os sistemas políticos são morais com as sociedades que ultrapassam os limites territoriais de um respectivo Estado? A resposta para esta pergunta se dá no século XX, onde ocorreram diversos conflitos armados entre os países da Europa. Confrontos de divergências ideológicas, devido à impossibilidade de coexistência de duas “verdades” ou mais, no espaço global.

      O professor William K. Frankena entende que:

“a moralidade surge como um conjunto de objetivos culturalmente definidos como um conjunto de regras a governar a consecução de tais objetivos, que permanecem mais ou menos exteriores ao indivíduo e que a ele se impõem ou nele se inculcam como hábitos. A moralidade, assim, é uma instituição social, mas instituição que induz seus membros à auto-orientação ou autodeterminação racional”

      Partindo desse viés, a moral é um princípio que não se limita ao campo da reflexão e é mutável, tornado-se a concepção de certo e errado algo particular de cada cultura. Sendo assim, a moral do século passado difere da contemporaneidade.

      A percepção de um homem honrado e viril, na Antiguidade Clássica, por exemplo, era aquele forte e capaz de defender sua honra, independente dos meios. Os países que tinham poder maior desafiaram os mais vulneráveis, mostrando que a força humana de violência através das guerras fosse mais além, ou seja, chegasse ao campo de dominação econômica e de expansão territorial. Porém, as mortes de milhares de pessoas eram moralmente reconhecidas. As guerras eram moralmente permitidas, sendo elas a materialização da utopia de um respectivo Estado.

      Miguel Reale buscou através da teoria do tridimensionalismo, unificar três concepções unilaterais do Direito: aspecto normativo, fático e axiológico. O valor é a moral de cada época e, a partir do valor, a norma se modifica e o fato é visto de maneiras diferentes. Em outras palavras, onde quer que haja um fenômeno jurídico, há um fato, seja econômico, geográfico, demográfico e/ou histórico; um valor que confere determinada significação a esse fato deliberando a ação dos homens para atingir certo objetivo e uma norma que representa a relação que integra o fato ao valor. É assim que a guerra por muito tempo foi justificada nas leis.

      O século XX foi marcado por atos considerados bárbaros, cometidos tanto pelas nações “civilizadas” quanto pelas “não civilizadas”. O genocídio, por exemplo, não é um acontecimento independente das condições ideológicas. Mesmo matando milhares de pessoas, os regimes totalitários fizeram tudo legalmente justificado e principalmente com a ótica da sociedade, considerando como algo moralmente bom. Suas ações foram justificadas pela utopia, onde cada país acreditava na sua ideologia para transformar a sociedade, ou seja, as guerras engajadas no século passado aconteceram por conta das lideranças políticas, onde cada um possuía sua respectiva utopia, sua idealização de concepção humanística e social. Logo, o que era bom para um poderia não ser para o outro. Assim, os países soviéticos e do Ocidente lutaram entre si em defesa dos seus valores.

      Desta forma, pode-se afirmar que é explícito o uso da política em nome da moral, para se justificar e prevalecer um modelo ou forma de utopia singular.

Monique Evelle

Salvador, 03 de novembro de 2012