Dr. Fazendeiro Walter, parte II.

Walter, é o meu pequeno príncipe de 12 anos que já morou na rua, foi explorado sexualmente, forçado a roubar e é um verdadeiro artista. Hoje vive em um abrigo que está quase fechando pois não tem condições financeiras para continuar aberto. Se fechar, Walter e os três irmãos irão voltar para outro abrigo, o qual já fugiu por ter sido maltrado. Infelizmente não posso adotá-lo, pois além dos três irmãos que estão com ele, tem as duas meninas que estão em outro abrigo. Mas “adotei”. Eu mudei minha vida por esse menino. Estou aprendendo a cozinhar, lavar roupa e tudo que se refere a cuidar de uma casa. (quem me conhece sabe que isso não fazia parte da minha rotina). Saber que você não vai resolver todos os problemas do mundo e que o seu problema não pode ser o centro das atenções, e mesmo assim gritar “Socorro!” para qualquer pessoa que você acha que pode te ajudar de alguma forma, é uma sensação tão angustiante. Olhar ao redor e ver tanta merda sendo feita por pessoas que um dia você acreditou que poderia fazer a diferença, e se sentir explorada e mesmo assim sem conseguir fazer nada e não poder fazer nada, porque você tem um garotão para cuidar, é de matar uma pessoa. E sim, eu preciso de dinheiro. E não, o Desabafo não tem nenhum apoio financeiro. Ficar ouvindo que o que eu faço é loucura, já é de costume. E olhe que ouço isso antes de conhecer o Walter. Realizar mais de dez trabalhos ao mesmo tempo, para juntar grana e continuar fazendo, ao menos, esse pouco que o faz feliz e mesmo assim ninguém entender a importância de tudo que faço e continuar me chamando de louca, é preciso muita paciência. Queria tanto a oportunidade de ficar frente a frente com Rachel Sheherazade , só pra dizer que aderi a campanha dela de “adotar um bandido.” O quanto é lindo ouvir ele orando antes de qualquer refeição e saber que estou nas orações dele. O quanto dói ficar uma semana na cidade dele e ter que me despedir. Fazer ele prometer que não irá fugir e que vai estudar, é a parte mais fácil. O difícil é não poder prometer que irei tirá-lo do abrigo. Mesmo com tudo isso, é muito bom ser mãe aos 19 de um garotão de 12 anos.

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