LÍVIA e a humanização dos corpos negros

Por que ao espetáculo LÍVIA é um dos melhores que já  vi? A resposta poderia ser simples, se as pessoas interpretassem da mesma forma que a gente tenta passar. Como isso não acontece, vou explicar rapidinho.

Observem essas imagens:

Imagine que eles estão fazendo um espetáculo. O que você vê? O que , provavelmente, a peça fala?

A descrição poderia ser: Atores interpretando um casal ou monólogo, falando da vida e as consequências das nossas escolhas.

Agora observem essa imagem:

Sol Menezzes e Licínio Januário
Sol Menezzes e Licínio Januário

A descrição (viciada) poderia ser: Atores NEGROS interpretando um casal e falando sobre RACISMO.

Tem uma parte do livro “Na minha pele”, de Lázaro Ramos, que fala que mesmo querendo esquecer que somos negros, alguém nos lembra. Ou seja, Sol Menezzes e Licínio Januário não são apenas excelentes atores. São excelentes atores negros. Porque não existimos sem essa terminologia.

Pela primeira vez nos meus 22 anos, assisto um espetáculo com direção e elenco negro e que a mensagem final não envolva racismo. Podem ter vários, mas nunca vivenciei.

Sentada naquela cadeira, só consegui enxergar dois atores fazendo simplesmente uma peça que me arrancou lágrimas com um roteiro incrível e uma encenação impecável.

Esses dois atores trouxeram humanidade pra mim, pra nós pretos e pretas. Eles mostraram que somos tão reais quanto outras pessoas que não precisam utilizar a terminologia negro/preto. Além disso, mostraram com esse texto que nem só das demandas do racismo e dos racistas vive uma pessoa negra. Trouxeram situações das nossas vidas, as escolhas , o amor, a rotina.

Obrigada Sol, Licínio e toda equipe por mostrar que:

  1. As militâncias são distintas e têm coisas que não precisamos sempre verbalizar. A nossa existência em determinado espaço mostra a nossa luta. Vocês no atuando no palco dos Parlapatões mostram isso.
  2. Como sempre digo, começamos a militância como Malcom X e depois a gente entende o que Martin Luther King quer dizer. LÍVIA me pega pelo diálogo, me embala pelos braços e faz a mensagem chegar em todas pessoas.
  3. PESSOAS NEGRAS TÊM HUMANIDADE. Eu falo sobre outras coisas, além de racismo. Eu tenho uma vida, além da luta antirracista.

Militância não é profissão, militância não é emprego.

Por Monique Evelle

Acredito que ninguém tenha dúvidas que as pessoas podem ser contraditórias, ainda mais da minha geração cheia de certezas e instantaneidades. Mas claro que todos podem mudar de opinião. Recentemente vi em algum lugar a seguinte mensagem:

É meu aliado quem ganha dinheiro falando de racismo?

 

Fiquei pensando o quanto as pessoas são equivocadas e jogam baixo, talvez até sujo. Vou trabalhar com exemplos.

Gabi Oliveira é formada em Relações Públicas pela UFRJ e criou o canal no youtube durante o TCC (Para quem não sabe o youtube é também uma plataforma de negócios). Consequentemente os temas que ela aborda em seu canal, por vivência e estudos, é sobre relações étnico-raciais.  Djamila Ribeiro é mestra em Filosofia pela UNIFESP e tudo que ela conseguiu de visibilidade se sustentou por conta da sua credibilidade, pautada nos seus estudos.

Logo, ganhar dinheiro é consequência do trabalho que elas desenvolvem com a profissão delas. A militância é uma parte da vida dessas pessoas. E por serem mulheres negras, falarão de questões raciais de forma consciente ou não.

A temática racial é transversal a qualquer outro tema: negócios, cultura, gênero, educação, comunicação e afins. Eu, por exemplo, enquanto mulher negra e ativista, tenho o meu lugar de fala e racializo o debate. Porém sou formada em Política e Gestão da Cultura e, atualmente, estou como repórter no Profissão Repórter. Não sou apenas Monique Evelle, a militante. Militância não é minha profissão, não é meu emprego. 

A romantização da pobreza me deixa um tanto angustiada. Não estou falando da camisa da Osklen escrita “Favela” e sim da necessidade gigantesca que os movimentos têm de querer continuar enxergando a periferia como único território possível pra nós. E olha com estranheza qualquer negro que romper com isso.

Lázaro Ramos falou algo que levo pra vida.

Luto para não viver sob a demanda do racismo e dos racistas

E acrescento que luto para não viver sob a demanda da militância. Sabemos que nascer mulher negra já é sinônimo de resistência. Eu resisto! E parafraseando Jéssica Ipólito, não estou disposta a ser a carne machucada, desgastada e morta viva. Quero poder exercer minha individualidade sem precisar pedir permissão, porque sei exatamente da minha responsabilidade ancestral e o compromisso que tenho com as coisas que tenho desenvolvido e com a comunidade negra.

A parte boa é que não existe apenas um tipo de militância. Uns vão pela estética, outros criando coletivos de debates, outros pagando o boleto do ENEM de uma irmã, indicando alguém para um emprego, divulgando o trabalho da galera etc.

E voltando a pergunta…

É meu aliado quem ganha dinheiro falando de racismo?

 

Quem questiona dessa forma acredita piamente que militância é profissão, militância é emprego. E acredite, quem fatura através do racismo não são os negros.

Mas como nem todo preto é irmão, nem toda mulher te apoia e nem todo branco é seu inimigo, discordar faz parte. O problema é quando as certezas alheias anulam e apagam existência e o histórico de estudos, trabalho e caminhada de outra pessoa, sobretudo negra.

O pior de tudo é que esses tipos de comentários são sempre dirigidos para mulheres negras. Homens negros são isentos.

E reforço: precisamos continuar dando nomes as coisas:

  1. Racismo não é bullying
  2. Relacionamento abusivo não é prova de amor
  3. Inveja não é crítica.

Aproveitem e leiam:

Carta aberta aos homens negros

Ouçam a música que Rashid fez de tudo que os nossos falaram dele.

Cara gente branca…

Sobre a série Dear White People, da Netflix.

  1. Cara gente branca, a série não é sobre vocês. Nem tudo é sobre vocês. Superem! Apesar da série ser bem didática, tem coisas que só pessoas negras vão entender.
  2. Cara gente branca, parem de usar a justificativa do “o nome afasta as pessoas”. O nome não afasta as pessoas, só dão nome as coisas. Como a braquitude não se enxerga enquanto grupo racial e o branco é considerado padrão, colocar branco/a no final de frases é só dizer que você é branco e só. Afinal, vocês sempre falam assim:
    “Que negra linda”.
  3. Cara gente branca, parem de fazer textos de defesas. Não se sintam acuados, porque falar sobre racismo não é individualização, é estrutura.
  4. Cara gente branca, para de colocar tudo em caixinha. A série mostra o quão complexos somos. Somos diversos. E vocês insistem em dizer que o movimento e as pessoas negras são homogêneas. OMG!
  5. Cara gente branca, parem de vitimismo! Onde já se viu, vocês não já disseram que racismo não existe? Como é isso agora?
5 jovens negr@s que o mundo precisa conhecer

Depois de assistir a peça de teatro o Topo da Montanha, com Lázaro Ramos e Taís Araújo, só reforcei o quanto é importante termos referências de líderes negr@s como Martin Luther King, Nelson Mandela, Winnie Madikizela-Mandela, Ângela Davis e muito mais.

Mas também acredito ser importante conhecermos @s notórios anônimos, jovens negr@s que no seu dia-a-dia e em sua área de atuação realizam coisas simples e brilhantes. Essa inquietação veio depois desse post:

ubuntu 2

Para isso, pedi ajuda no Facebook. As respostas foram incríveis! Amig@s reconhecendo uns aos outr@s.  Nossas referências estão tão próximas. E o que essas pessoas têm em comum? São jovens, negr@s, viv@s!

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Tauan Carmo

Tauan é estudante de Engenharia de Produção,  mas isso não o impede de se jogar no mundo artístico.  Seu primeiro projeto artístico foi feito pela ferramenta Paint e deu visibilidade ao mundo dos orixás, sem estereótipos.

“A simplicidade do Paint me encanta. É simples, tem em todo computador e consigo expressar exatamente o que quero”, Tuan Carmo

Tauã é daquelas que faz muito com pouco. É só olhar as fotografias abaixo!

tauã 2
OXUM: Tauan Carmo
OGUM: Tauan Carmo
OGUM: Tauan Carmo

 

alan costa
Alan Costa

 

Alan Costa tem 23 anos, formado em Letras e cursa Análise do Discurso, como aluno especial do mestrado na Universidade Estadual da Bahia. No inicio do ano, ele idealizou o coletivo Afrobapho que se tornou também uma festa.

“Eu sempre senti falta de referências explícitas da cena LGBTQ negra nas mídias, principalmente na internet. Então depois de ter assistido o documentário “Paris is Burning” e logo em seguida ter conversado com a Bicha Nagô – Ezio Rosa, eu decidi pensar num projeto que abarcasse essas vivências, que resgatasse e unisse todas elas, como um exemplo da nossa existência”, explica

A melhor coisa que aconteceu na vida dele foi ter conhecido pessoas maravilhosas, inspiradoras, com histórias de resistência emocionantes através do Afrobapho.

Alan é o do tipo que todo mundo quer ser amig@ porque ele consegue compartilhar a sua resistência com seus pares, mostrando ser uma “bicha preta fabulasa” (palavras dele <3)

Ayana Odara
Ayana Odara

 

Ayana Odara tem 17 anos, mineira, cursa Química na Escola Técnica de Minas Gerais e é feminista negra. Você só precisa de 10 minutos para ficar encantada com Ayana Odara e desejar ser amiga de infância.

Apesar de cursar e amar Química, pretende seguir carreira na área de Relações Internacionais. Ela tem muito para oferecer para o mundo, principalmente aquilo que aprendeu com a mãe: Sankofa! Voar e não esquecer das suas raízes. 
Além da filosofia Sankofa, Odara desde cedo compreendeu sua identidade e território. Por mais que tivesse ciência de sua negritude, ela teve algumas dificuldades na escola.
Na adolescência nunca tinha coragem de ir para escola com cabelo black power. Mas quando cheguei em Salvador , me senti muito feliz, estava em casa”, Ayana Odara

 

Não importa em qual lugar do Brasil, se tiver eventos e ações de interesse dela, ela vai.

É necessário segurança em nós mesmos para que as coisas possam dar certo. Isso se aplica desde a escola até viajar sozinha”, diz 

 

 

tamires
Tamires Menezes

Tamires é daquelas que admira as pessoas intensamente. Moradora do Nordeste de Amaralina, em Salvador, estuda produção cultural e é poetisa. Se liga nesse poema:

Pretx?

Você ainda não se tocou?

Vou dizer pra você

A sociedade diz que você é mulatx

Para um pouco de privilégio você ter

Ou até mesmo sua cor esconder

Fortaleça sua mente

Mostrando seu talento admitindo sua cor

VENÇA TODA ESSA GENTE

Conheço sua trajetória e o seu caminhar 

Mas lembre , a favela só vai te reconhecer

Quando alguém de fora lhe apresentar.

Tamires Menezes

 

É tão forte vê-la recitando. Os arrepios, o olhar, a intensidade na fala.

Iniciou sua militância em organizações partidárias, pois foi o caminho que encontrou para tentar compartilhar com o mundo aquilo que sabe. Por todos meios necessários, não é mesmo?

“A melhor coisa que fiz nessa vida até agora foi reconhecer o meu lugar no mundo. Foi saber que sou suficiente pra mim”, diz 
E você! Você mesmo que diz “quem sou eu na fila do pão?“. Você que compartilha tudo que sabe e mesmo assim acha que não tem nada para oferecer ao mundo. Então, fica dica:

 

Todo mundo deveria ser aplaudido de pé pelo menos uma vez na vida, porque todos nós vencemos o mundo.

 

August Pullman

 

Racismo e discurso de ódio na Internet

Nos dias 27 a 29 de abril, aconteceu no Rio de Janeiro a conferência “Racismo e discurso de ódio na Internet: narrativas e contranarrativas. O evento foi promovido pelo Centro Berkman, da Universidade Harvard, em parceria com a Plataforma Vojo Brasil, vinculada ao Instituto Mídia Étnica. O encontro reuniu especialistas que estudam o tema no Brasil, na Colômbia e nos Estados Unidos.

De acordo com um dos organizadores do evento, foi a primeira vez que aconteceu no Brasil um evento que levantou questões relacionadas ao aumento exponencial dos casos de racismo nas plataformas digitais, apresentando exemplos positivos do uso da Internet. 

Niousha Roshani, antropóloga e consultora na área dos direitos humanos especializado em infância e juventude em regiões afetadas por conflitos e membro do Centro Berkman, trouxe alguns dados interessantes para entendermos as semelhanças existentes entre o Brasil e Colômbia. O Brasil é o país com maior população negra em termos absolutos fora do continente africano, perdendo para Nigéria. O segundo maior país é a Colômbia. São cerca de 120 milhões de negros na América Latina. 

Apesar dos Estados Unidos ter uma articulação maior da comunidade negra, os negros estadunidenses correspondem 13% da população. Esta número é igual a do estado do Rio Grande do Sul, no Brasil.

Thiago Tavares, diretor da ONG SaferNet Brasil, divulgou alguns indicadores. Em 9 anos , a SaferNet Brasil recebeu e processou mais de 400 mil denúncias anônimas de racismo, envolvendo cerca de 68 mil páginas distintas (das quais 14.785 foram removidas), escritas em 7 idiomas e hospedadas em mais de 8 mil hots diferentes, em 54 países em 5 continentes.

Renato Meirelles, publicitário e diretor do Instituto Data Popular, trouxe dados sobre o desenvolvimento econômico do Brasil. Na última década, enquanto a renda familiar dos 25% mais ricos do Brasil cresceu 30%, a renda dos 25% mais pobre cresceu 81%. Das pessoas que saíram da classe D e foram para classe C , 75% são negras. Isso não significa que as coisas mudaram. O aumento do poder de consumo dos negros e a democratização da internet não acabaram com a hierarquia racial brasileira.

Na classe A, 71% da renda vem dos brancos e  29% vem dos negros, na classe D e E 72% da renda vem dos negros e 29% vem dos brancos. Isso significa que 3/4 da classe A e B é branca e 3/4 da classe D e E é negra.

Com as transformações econômicas a população negra movimentou R$ 1.573 trilhão no mercado brasileiro.  Isto é, se a população negra brasileira formasse o país, ela estaria no G20 no consumo mundial e seria o 11ª país no mundo em população. Diante disso, Meirelles destacou que o aumento do racismo e discurso de ódio na internet está relacionado com a redução da desigualdade econômica no Brasil e a democratização da internet.

“O ambiente que antes era exclusivo de uma parcela rica e branca, passa a ser ocupado por uma população negra. E isso incomoda”, diz Renato Meirelles.

Apesar das narrativas racistas e de discurso de ódio na internet, inciativas de contranarrativas foram apresentadas durante o evento.

#FicaDica

 

  1. Olabi Makerspace:  empresa social focada em estimular a aprendizagem de novas tecnologias e estimular a inovação social no país. Possui um um espaço experimentação, no qual pessoas compartilham ferramentas, máquinas e conhecimentos.
  2. Plataforma No Brasil: plataforma de pesquisa e experimentos curatoriais que conecta pessoas que estão transformando criativamente a cultura do país.
  3. Aplicativo Kilombu: o aplicativo que visa reunir anúncios de negócios e serviços de empreendedores negros.

 

Para continuar ampliando o diálogo sobre direitos na internet, acontecerá nos dias 12 e 13 de maio o simpósio Conectados al Sur, uma versão regional da rede global Digitally Connected , que aborda as oportunidades e os desafios de crianças e adolescentes no contexto digital da América Latina e Caribe. O simpósio é organizado pelo lnstituto de la Comunicación e Imagen de la Universidad de Chile, em parceria com Berkman Center for Internet & Society de la Universidad de Harvard e UNICEF.

SI LA COSA ESTÁ NEGRA, ¡LA COSA SE PUSO BUENA!

Somos cerca del 53% de la población brasileña. En Bahía, somos el 82%. Somos el 77% de la juventud que más muere en este país por armas de fuego. Somos la mayoría de los emprendedores de Brasil, y sin embargo seguimos actuando en actividades más simples, de menor valor agregado o más precarias. Somos los que más hacemos trabajos domésticos. Somos el 60% de los estudiantes de las escuelas públicas. Somos mayoría.

En un país con mayoría de la población negra, solamente el 3% de los electos en 2014 son negros. Los blancos siguen monopolizando los cargos públicos, y eso dificulta cualquier avance para la comunidad negra.

La información facilitada por el Tribunal Superior Electoral en 2014, muestran que los 11 candidatos para el cargo de Presidente de la República son los blancos; a la vicepresidencia, hay 7 blanco, tres negro y marrón; del total de 171 candidatos a gobernador, sólo el 54 son de color negro (15 negro y 39 marrón); a vicegobernador (a), 106 candidatos son de color blanco, 66 negro (44 marrón y negro 22) y 1 de la Indigena.

 

LA MUJER NEGRA

Es importante que pensemos también en una perspectiva de género y raza cuando hablamos sobre políticas públicas. Las mujeres negras representan casi un cuarto de la población brasileña.

Según los índices de la publicación Retratos de las desigualdades de Género y Raza, editada por el Ipea junto con la Secretaría de Políticas para las Mujeres de la Presidencia de la República (SPM/PR), la Secretaría de Políticas de Promoción de la Igualdad Racial de la Presidencia de la República (SEPPIR/PR) y ONU Mujeres, mientras 69% de las familias lideradas por mulheres negrasmujeres negras perciben hasta un salario mínimo, este porcentaje cae para 41% cuando se trata de familias lideradas por hombres blancos.

El índice de escolaridad de mujeres blancas en el nivel terciario es de 23,8%, mientras que, entre las mujeres negras, este índice es de solamente 9,9%. Y al hablar del mercado de trabajo, ¡la desigualdad empeora! Mientras, en 2009, los hombres blancos tenían el índice más alto de formalización laboral (el 43% contaba con la documentación en regla), las mujeres negras tenían el peor índice (solamente el 25% tenía empleo formal).

Ese es un retrato resumido de la situación de la mujer negra en el territorio brasileño.

 

ALGUNOS AVANCES

En 2003 fue creada la Secretaría Especial de Promoción de la Igualdad Racial (Seppir) con el objetivo de formular, coordinar y articular políticas y directrices para la promoción de la igualdad racial.

Cuando se trata de la educación para la comunidad negra, está presente el tema del reconocimiento de identidad. Podemos destacar la ley 10.639, que incluye la materia Historia y Cultura Afro-brasileña en el programa curricular del sistema educativo y el Programa Universidad para Todos (PROUNI), que concede becas de estudio parciales o totales para estudiantes con bajos ingresos en cursos de graduación de instituciones privadas. Además, tenemos las cuotas raciales en las instituciones públicas de educación técnica y superior.

cotais raciais

Según el Instituto Brasileño de Geografía y Estadística (IBGE), tres de cada cuatro beneficiarios de la política de inclusión social Brasil Sin Miseria son negros. En 2014, debido a las acciones de dicha política, Brasil se convirtió en una referencia mundial en políticas públicas de combate a la pobreza, logrando salir del Mapa Mundial del Hambre, según la Organización de las Naciones Unidas para la Alimentación y la Agricultura (FAO).

De acuerdo con los datos de la Investigación Nacional por Muestra de Domicilios (PNAD) del IBGE, de 2008 a 2013 hubo un aumento del 36% en el promedio de cantidad de años de estudio entre la población de bajos ingresos. Los datos revelan también que el programa Bolsa familia, de transferencia de ingresos, colaboró para monitorear la asistencia escolar de niños y jóvenes. El tiempo de permanencia en los estudios entre el 20% más pobre subió de 6,1 años a 8,3.

 

#PARATENERENCUENTA

Uno de los mejores libros que leí se llama Corpo Caído no Chão (Cuerpo Caído en el Suelo) de Ana Luiza Flauzina. El libro aborda la cuestión criminal en Brasil. Ana Flauzina muestra algunas estrategias para desaparecer y exterminar la imagen física del negro en la sociedad brasileña.

El documental Lápis de Cor (Lápiz de Color), aborda el universo infantil y la manera en que el estándar de belleza eurocéntrico afecta a la autoimagen y autoestima de los niños negros, revelando la acción silenciosa del racismo. Lápis de Cor hace referencia a un color de lápiz, conocida como “Color Piel” que, en realidad, es una tonalidad de beige. Ese es el color que los niños utilizan para representarse a sí mismos y a las personas con quienes conviven.

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=Dp-LxZ3Ck7c]

Citando a la feminista negra Djamila Ribeiro, si usted cree que sufrió algún tipo de racismo por ser blanco o conoce a un amigo que lo haya sufrido, ¡este video es para usted!

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=crCCQIWSx68]
Se a coisa tá preta, a coisa tá boa!

Somos cerca de 53% da população brasileira. Na  Bahia somos 82%. Somos 77% da juventude que mais morre neste país por arma de fogo. Somos a maioria dos empreendedores do Brasil, mas continuamos atuando em atividades mais simples, de menor valor agregado ou de maior precariedade. Somos quem mais realiza trabalhos domésticos. Somos 60% dos estudantes nas escolas públicas.  Somos maioria.

Em um país com maioria negra, apenas 3% dos eleitos em 2014 são negros. Os brancos continuam monopolizando os cargos públicos o que dificulta qualquer avanço para comunidade negra.

Eleições 2014 Brancos Pardos Pretos Amarelos Indígenas
Presidente da República 1
Governadores 20 6 1
Senadores 22 5
Deputados federais 410 81 22
Deputados estaduais 776 250 29 2 2
Eleitos 1229 342 51 3 2
Como se classificam % da população % de eleitos
Brancos 47,7 75,6
Pardos 43 21
Pretos 7,6 3,1
Amarelos 1,1 0,2
Indígenas 0,4 0,1

A MULHER NEGRA

É importante pensarmos também numa perspectiva de gênero e raça quando falamos sobre políticas públicas.  As mulheres negras respondem por cerca de um quarto da população brasileira.

mulheres negrasDe acordo com os indicadores da publicação Retrato das desigualdades de Gênero e Raça, editada pelo Ipea em parceria com a Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM/PR), a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República (SEPPIR/PR) e a ONU Mulheres,  enquanto 69% das famílias chefiadas por mulheres negras ganham até um salário mínimo, este percentual cai para 41% quando se trata de famílias chefiadas por homens brancos.

A taxa de escolarização de mulheres brancas no ensino superior é de 23,8%, enquanto, entre as mulheres negras, esta taxa é de apenas 9,9%. Sobre o mercado de trabalho, a desigualdade só piora! Enquanto, em 2009, os homens brancos possuíam o maior índice de formalização (43% com carteira assinada), as mulheres negras apresentavam o pior (25% com carteira assinada).

Esse é um breve retrato da situação da mulher negra no território brasileiro.

ALGUNS AVANÇOS

Em 2003 foi criada Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) com objetivo de formular, coordenar e articular políticas e diretrizes para promoção da igualdade racial.

Sobre a educação para a comunidade negra, está o reconhecimento identitário. Podemos destacar a Lei 10.639, que inclui o tema História e Cultura Afro-Brasileira no currículo da rede de ensino e o Programa Universidade para Todos (PROUNI) que concede bolsas de estudos parciais ou integrais para estudantes de baixa renda em cursos de graduação em instituições privadas. Além disso, temos as cotas nas instituições públicas de ensino técnico e superior.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), três entre quatro beneficiados pelo Brasil Sem Miséria , política de inclusão social, são negros. Em 2014, por conta das ações do Brasil Sem Miséria, o Brasil se tornou referência mundial em políticas públicas de combate à pobreza, saindo do Mapa Mundial da Fome, segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).

Segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) do IBGE, de 2008 a 2013 houve aumento  de 36% dos anos médios de estudos entre a população de baixa renda. Os dados revelam também que o programa Bolsa Família , de transferência de renda, colaborou para acompanhar a frequência escolar de crianças e jovens. O tempo de permanência nos estudos entre os 20% mais pobres saiu de 6,1 anos para 8,3.

EDITAL PARA JUVENTUDE NEGRA COMUNICADORA

Com a intenção de reconhecer iniciativas de jovens comunicadores negras e negros voltadas para a promoção da igualdade racial, a Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) lançou no inicio de setembro o edital do Prêmio Antonieta de Barros. O prêmio irá contemplar atividades de comunicação relizadas pela juventude negra. Cada iniciativa receberá um prêmio de R$ 20.000,00

 Os interessados podem inscrever as suas iniciativas até o dia 19 de outubro, protocolando o projeto pessoalmente na Seppir (Esplanada dos Ministérios, Bloco A, Brasília), enviando o material pelos Correios, ou mesmo via Internet, pelo e-mail premio.jovenscomunicadores@seppir.gov.br

Mais informações: Prêmio Antonieta de Barros 

O Brasil nunca foi um país pacífico. O Brasil é um país racista, machista e lgbtfóbico!

FICA DICA

 Um dos melhores livros que já li foi Corpo Negro Caído no Chão de Ana Luiza Flauzina. O livro aborda a questão criminal no Brasil. Ana Flauzina mostra algumas estratégias de desaparecimento e extermínio da imagem física do negro na sociedade brasileira.

O documentário Lápis de Cor, aborda o universo infantil e a maneira como o padrão de beleza eurocêntrico afeta a auto-imagem e auto-estima de crianças negras, revelando a ação silenciosa do racismo.

Lápis de Cor faz referência a uma cor de láis, conhecia como “Cor de Pele”, que , na verdade é um tonalidade bege. É essa cor que as crianças utilizam para representar a si mesmas e as pessoas do seu convívio.

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=Dp-LxZ3Ck7c]

Parafraseando a feminista negra , Djamila Ribeiro, se você é  acredita que já sofreu racismo por ser branco ou que conhece um amigo que sim, esse vídeo é pra você!

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=crCCQIWSx68]
Veja o lado positivo: agora sabemos quem é racista, machista, homofóbico

Esconder titica embaixo do carpete pode resolver a questão estética das aparências, mas o cheiro ruim continua rondando o ambiente.

Por Leonardo Sakamoto, do Blog do Sakamoto 

Da mesma forma, jogar purpurina no cocô não faz dele uma lantejoula, muito menos um brilhante.

E fezes vestidas com capa vermelha sobre um colã azul não ganham superpoderes. Pelo contrário, continuam transmitindo doenças.

Por isso, acho extremamente saudável que, após as manifestações de junho de 2013, o pensamento ultraconservador, envergonhado e tolhido desde a redemocratização, tenha saído às ruas e ganhado a internet. Assim, com as máscaras caídas, podemos ver quem é quem de verdade. E o que as pessoas pensam.

Pois parte da sociedade brasileira não está se transformando em algo ruim. Parte sempre foi isso aí mesmo: racista, homofóbica, transfóbica, xenófoba, preconceituosa, discriminadora, elitista, machista, inquisidora.

Que não reconhece no outro um semelhante porque não foi educada para conviver com as diferenças.

Capaz de atacar e esfolar quem ouse, na busca por direitos, pôr em risco seus privilégios.

E que vibra com a morte de sem-terra, sem-teto e crianças em situação de conflito com a lei.

Só que, antes, ficava em silêncio com medo do que o coletivo fosse pensar. Ou temia soar tacanha em um momento em que conquistávamos direitos – na produção da Constituição de 1988, na resistência das lutas sociais da década de 90, nas mudanças levadas a cabo pelos governos do PSDB e do PT (sim, os dois).

Mas os ultraconservadores em todo o mundo perceberam que não estavam sozinhos. Reconheceram-se mutuamente através da internet e, sem vergonha de serem felizes, perderam o medo. Um processo ironicamente semelhante ao que ocorreu, sem a internet e, por isso, de forma muito mais lenta, com organizações e movimentos sociais progressistas ao longo e décadas.

Contribuiu para catalisar esse processo por aqui e criar uma identidade reativa os escândalos de corrupção do governo envolvendo o PT (e não adianta falar que são invenção da imprensa, pois mensageiros podem até exagerar nas tintas, mas a paisagem já estava lá para ser pintada), a situação de declínio econômico e a conquista de determinados direitos pelos mais pobres (efetivação de direitos não são benesses de governos, mas consequências de demanda social e trabalhista, com base em sangue, suor e lágrimas).

O bom é que os jogadores estão aí, vestindo suas camisas, e com as opiniões escancaradas.

Por isso, agora você sabe que seu vizinho é racista, que o seu chefe é homofóbico, que o seu professor é machista, que aquele jornalista acha que negros são inferiores, que aquela Best Friend Forever mataria uma transexual com as próprias mãos se isso não fosse lascar sua unha, que o cara da banca de jornal tem nojo de pobre.

Ou seja, agora, o discurso que tenta construir uma narrativa de que o Brasil é um país de harmonia e que as pessoas e movimentos que lutam pela redução da desigualdade estrutural é que criam o ódio fica mais claro e pode ser contestado publicamente.

Pois o Brasil real, sem a capa de hipocrisia, é fratura e disputa. E é natural que seja assim.

O que todos devemos aprender é que essa disputa deve ser na arena pública e de forma democrática. E não através da violência e da intimidação.

Muita gente tem orgulho de ostentar determinados posicionamentos violentos, como se o direito à liberdade de expressão fosse absoluto (quem estuda 15 minutos sobre o tema ao invés de se informar apenas pelo WhatsApp sabe que não há direitos absolutos, nem mesmo à vida – caso contrário a legítima defesa não existiria). E que isso te concedesse o poder de reduzir os direitos de outras pessoas a pó sem consequências.

Não é uma tarefa fácil garantir um debate instigante, desafiador e plural até porque a novidade sempre tem seu charme. E a novidade agora não é mais a luta pela universalização de direitos. Parece que a moda é oprimir a minoria. Uma covardia, pois quem faz isso se furta a gracejar de banqueiros e donos de multinacionais.

Tenho a certeza, contudo, que ao conhecer o outro e ter por ele empatia ou ter acesso à informação de qualidade, muita gente pode se transformar. Afinal, milhões enxergam de olhos fechados.

E o que não for pelo consenso, que fique a cargo da boa e velha disputa na arena democrática.

Enfim, quando me falta horizonte, lembro de “A Igreja do Diabo”, de Machado de Assis. Neste momento, parece que estamos fundando uma Igreja do Diabo. Mas pela consciência adquirida em debates e diálogos que provoca um processo dialético ou pela eterna contradição humana, as coisas vão mudar.

Seguem trechos do conto:

Conta um velho manuscrito beneditino que o Diabo, em certo dia, teve a idéia de fundar uma igreja. Embora os seus lucros fossem contínuos e grandes, sentia-se humilhado com o papel avulso que exercia desde séculos, sem organização, sem regras, sem cânones, sem ritual, sem nada. Vivia, por assim dizer, dos remanescentes divinos, dos descuidos e obséquios humanos. Nada fixo, nada regular. Por que não teria ele a sua igreja? Uma igreja do Diabo era o meio eficaz de combater as outras religiões, e destruí-las de uma vez.

A igreja fundara-se; a doutrina propagava-se; não havia uma região do globo que não a conhecesse, uma língua que não a traduzisse, uma raça que não a amasse. O Diabo alçou brados de triunfo.

Um dia, porém, longos anos depois notou o Diabo que muitos dos seus fiéis, às escondidas, praticavam as antigas virtudes. Não as praticavam todas, nem integralmente, mas algumas, por partes, e, como digo, às ocultas.

Certos glutões recolhiam-se a comer frugalmente três ou quatro vezes por ano, justamente em dias de preceito católico; muitos avaros davam esmolas, à noite, ou nas ruas mal povoadas; vários dilapidadores do erário restituíam-lhe pequenas quantias; os fraudulentos falavam, uma ou outra vez, com o coração nas mãos, mas com o mesmo rosto dissimulado, para fazer crer que estavam embaçando os outros. A descoberta assombrou o Diabo.

Voou de novo ao céu, trêmulo de raiva, ansioso de conhecer a causa secreta de tão singular fenômeno.

Deus ouviu-o com infinita complacência; não o interrompeu, não o repreendeu, não triunfou, sequer, daquela agonia satânica. Pôs os olhos nele, e disse-lhe:

— Que queres tu, meu pobre Diabo? As capas de algodão têm agora franjas de seda, como as de veludo tiveram franjas de algodão. Que queres tu? É a eterna contradição humana.

Preciso reforçar o quanto 2014 começou f*da! Com certeza vocês lembram dos justiceiros que prenderam o adolescente negro ao poste. E também lembram que Rachel Sheherazade fez campanha para adotarmos um bandido. Mas não para por aí. O ator Vinicius Romão ficou 16 dias preso por engano. Cláudia Silva foi arrastada pelo carro da política, enquanto era socorrida (?). DG foi assassinado na região onde tinha uma UPP. Mulheres que abraçaram a campanha #EuNaoMerecoSerEstuprada foram ameaçadas. Neymar fez a camapanha #SomosTodosMacacacos, desqualificando e querendo acabar em um só dia , com lutas e estudos contra o racismo. Fabiane Maria de Jesus morreu após ter sido espancada pelos justiceiros do Guarujá. Keep reading →

A busca pelo pente perfeito

O problema começou quando esqueci o pente de cabelo em casa. Inventei de viajar sem meu pente (com dentes largos). E então começou a busca incansável pelo pente perfeito.

Fui procurar o pente de cabelo pelas lojas de Maceió. Sabe o que é rodar feito barata tonta? Pois é, fui eu. Rodei em lojas, armarinhos, super mercados … em tudo. Só tinha pentes finos e extra finos para cabelos lisos/alisados/chapinha/escova.

Apelei até nos salões de beleza. E o engraçado – só que não – foi quando um cabeleireiro falou que iria resolver meu problema. Fiquei feliz por alguns segundos até ele dizer: “Eu faço uma escova ou chapinha no seu cabelo e você compra um pente fino. Pronto, problema resolvido!” Eu ri para não chorar, mas a única solução que me deram foi essa.

Continuei na luta e nada. Desesperei e gritei: Como ninguém pensa em pentes para cabelos crespos? Pois é né. Só observar nas campanhas publicitárias. A indústria da beleza dita o tipo certo de cabelo. O tipo “aceitável” de beleza e assim vai.

Um dia desses registrei um outdoor com a frase “Cabelo crespo tem solução!” A solução eu já sabia né. Foi a mesma que o cabeleireiro me disse. As pessoas não enxergam e não entendem que racismo está todo trabalhado na chapinha. Quem tem cabelos crespos que faça sua chapinha e compre seu pente fino #sqn.

Indico o texto Em terra de chapinha, quem tem cabelos crespos é rainha? , de Jarid Arraes.