Entre o sol da meia noite e às luzes que apagaram das favelas, existe uma causa chamada educação
Professora dá aula para crianças em uma escola primária em Vaasa, na Finlândia (Olivier Morin/AFP)

Para quem trabalha na área de educação, conhecer o sistema educacional da Finlândia, deve ser um sonho.  De acordo com o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, o PISA, a Finlândia é o exemplo mundial de educação.  O motivo deste sucesso está alicerçado em três eixos: a família, a escolas e os aspectos socioculturais.

Em agosto de 2015, saiu uma matéria na BCC Brasil sobre oito coisas que docentes brasileiros aprenderam com a educação na Finlândia. O mais interessante é que esses docentes tiveram que ir para tão longe, para compreender e valorizar metodologias que estão sendo colocadas em prática no Brasil, principalmente nas favelas dos centros urbanos. De acordo com o aprendizado dos professores brasileiros em viagem à Finlândia, citarei quatro exemplos de iniciativas brasileiras

SOBRE O QUE OS PROFESSORES APRENDERAM

  1. Usar projetos em sala de aula

Os projetos são as melhores formas de garantir a atenção e interesse de estudantes nas salas de aula, pois os estudantes se sentem parte do processo de aprendizagem.  São formas baseadas em perguntas e não em um currículo condicionado ao fracasso.  Assim, é possível utilizar a realidade para problematizar dentro de sala de aula.

Um bom exemplo no Brasil é a EMEF (Escola Municipal de Ensino Fundamental) Desembargador Amorim Lima. Escola municipal localizada em São Paulo, que alterou seu Projeto Político Pedagógico para garantir a interação dos pais e mães de alunos e da comunidade com a escola. A Amorim Lima passou a oferecer atividades extracurriculares como oficinas de cultura brasileira, educação ambiental e teatro e é um exemplo de escola que consegue realizar projetos em sala de aula.

  1. Foco na produção de conteúdo pelos alunos

Sobre o aluno e a aluna produzir conteúdos, darei o exemplo EMEF Campos Salles, também de São Paulo.  A Campos Salles transformou o currículo para valorizar a autonomia dos estudantes. Uma das grandes mudanças foi alterar as aulas expositivas, dando a possibilidade dos estudantes  desenvolverem seus percursos de aprendizagem individuais e em grupos , a partir de roteiros de estudos.

  1. Repensar o papel da avaliação

A palavra “prova” já deixa qualquer pessoa angustiada. Por mais que tenha estudado, não ficamos imunes da sensação de horror, nervosismo e tensão. Mas a prova não é o único instrumento que deve servir para avaliação.

O Bairro-Escola Rio Vermelho, em Salvador, é uma grande articulação comunitária que busca promover o desenvolvimento integral de crianças, adolescentes e jovens por meio da ampliação das oportunidades educativas do bairro. Os movimentos sociais, moradores do bairro, pais e mães interagem com as escolas da região para contribuir com a aprendizados dos estudantes. Isso significa que é possível aprender física com o mecânico, matemática com um cozinheiro, história do brasil com integrantes de movimentos sociais. Desta forma é possível pensar em novos modelos de avaliação, a exemplos de desafios reais e games.

  1. Desenvolvimento de habilidade do século XXI

O que é ensinado na escola não prepara os estudantes para a vida fora da sala de aula. A Pearson, uma das maiores empresas de educação e editora de livros do mundo, publica todo ano o estudo “The Learning Curve” com dados sobre educação e métodos de ensino no mundo inteiro.  O resultado da pesquisa de 2015 trouxe oito habilidades que os estudantes devem ter:

  • Alfabetização Digital
  • Comunicação
  • Inteligência Emocional
  • Empreendedorismo
  • Cidadania Global
  • Habilidade para Resolução de Problemas
  • Trabalho em Equipe

O Desabafo Social desde 2013 vem realizando atividades em parcerias com escolas públicas de algumas regiões do Brasil com foco na Comunicação em Direitos Humanos e Empreendedorismo Social.

Produção de fanzine, cinedebates, produção de jornal mural, dicas de como tirar um projeto do papel e/ou aumentar o impacto de um projeto, são  algumas das milhares de atividades desenvolvida pelo Desabafo Social nas Escolas. Além disso, o Desabafo Social realiza gincanas com foco nos direitos humanos, priorizando a Lei 10.639/03 sobre o estudo da história e cultura afro-brasileira, a Lei 8.069/90 (Estatuto da Criança e do Adolescente), o Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH) e Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos (PNEDH).

Reconhecer, valorizar e colocar em prática o sucesso da educação popular/informal vivenciada nas favelas brasileiras é salvar vidas de meninos e meninas de todos os cantos do Brasil. Toda vez que bons professores da educação formal negam ir para os lugares que mais precisam, eles apagam luzes das favelas. Mas é importante lembrar que entre o sol da meia noite da Finlândia e às luzes que apagaram das favelas do Brasil, existe uma causa chamada Educação. E sim, no Brasil existem ótimas experiências e práticas de educação que dão certo!

Resumão sobre o cenário Cultural a partir de José Sarney

José Sarney (1985)- Criação do Ministério da Cultura

Fernando Collor (1990-1992) – O Ministério da Cultura foi extinto.

Itamar Franco ( 1992-1994) –  Recriou o Ministério da Cultura; Lei de Incentivo específica para área do audiovisual com foco no mercado.

FHC (1994-2002) – Aplicação dos recursos públicos no setor privado; região sudeste beneficiada; Cultura é um bom negócio.

Lula/Dillma ( 2002-2014) – Alargou a noção de cultura, fortalecendo as culturas populares; ouviu e debateu as políticas culturais com a sociedade civil; o Estado teve papel ativo no campo da cultura; aumento do orçamento para cultura; editais para pessoas físicas.

Referência:

CALABRE, Lia. Políticas Culturais no Brasil: balanço e perspectivas. In: RUBIM, Albino e BARBALHO, Alexandre (Orgs.)  Políticas Culturais no Brasil. Salvador: Edufba, 2007, pg. 87 – 107

A busca pelo pente perfeito

O problema começou quando esqueci o pente de cabelo em casa. Inventei de viajar sem meu pente (com dentes largos). E então começou a busca incansável pelo pente perfeito.

Fui procurar o pente de cabelo pelas lojas de Maceió. Sabe o que é rodar feito barata tonta? Pois é, fui eu. Rodei em lojas, armarinhos, super mercados … em tudo. Só tinha pentes finos e extra finos para cabelos lisos/alisados/chapinha/escova.

Apelei até nos salões de beleza. E o engraçado – só que não – foi quando um cabeleireiro falou que iria resolver meu problema. Fiquei feliz por alguns segundos até ele dizer: “Eu faço uma escova ou chapinha no seu cabelo e você compra um pente fino. Pronto, problema resolvido!” Eu ri para não chorar, mas a única solução que me deram foi essa.

Continuei na luta e nada. Desesperei e gritei: Como ninguém pensa em pentes para cabelos crespos? Pois é né. Só observar nas campanhas publicitárias. A indústria da beleza dita o tipo certo de cabelo. O tipo “aceitável” de beleza e assim vai.

Um dia desses registrei um outdoor com a frase “Cabelo crespo tem solução!” A solução eu já sabia né. Foi a mesma que o cabeleireiro me disse. As pessoas não enxergam e não entendem que racismo está todo trabalhado na chapinha. Quem tem cabelos crespos que faça sua chapinha e compre seu pente fino #sqn.

Indico o texto Em terra de chapinha, quem tem cabelos crespos é rainha? , de Jarid Arraes.

 

Falar sobre o MST não é nada fácil. E não me arrisco tanto a falar. Mas vamos lá! Nunca parei para ler realmente sobre o movimento, apesar de uma amiga-irmã ter nascido e crescido nos assentamentos e eu ter contato com ela, mesmo que distante.

A criminalização dos movimentos sociais na mídia transmite uma noção de verdade absoluta e inquestionável. Fora que o Ministério de Defesa considera os movimentos sociais como “força oponente” , tal como organizações criminosas. (http://www.redebrasilatual.com.br/politica/2014/01/ministerio-da-defesa-iguala-movimentos-sociais-a-criminosos-e-os-considera-forca-oponente-8022.html). Aí pronto!

Os objetivos do MST estão explícitos no site www.mst.org.br: Lutar pela Terra, Lutar por Reforma Agrária e Lutar por uma sociedade mais justa e fraterna. Sendo que os objetivos estão garantidos na Constituição Federal, especificamente no capítulo III – Da Política Agrícola e Fundiária e a Reforma Agrária.

Considerando que o MST é um movimento orgânico de pessoas e que uma das bandeiras levantadas pelo movimento é o acesso à cultura relacionado com a dignidade e formação de valores, percebe-se a amplitude do conceito de cultura. Para o MST, o primeiro passo para mudança social é através da cultura ideológica e enquanto arte, ou seja, mudança na forma que escuta a música, como constrói o poema, como se veste, o que compra , o que produz , o que reproduz etc. Cultura para o MST é o jeito de viver, produzir e de reproduzir a vida, baseada na construção cotidiana de novos conhecimentos que são fortalecidos e renovados todos os dias.

Vale destacar uma coisa interessante. Antes do governo Lula, havia algumas políticas do governo anterior direciona aos trabalhadores sem terra, mas não houve sucesso e essas políticas públicas nunca se efetivaram. Sérgio Mamberti ficou encarregado em desenvolver a Secretaria da Diversidade Cultural, em que esteve por seis anos durante o primeiro governo Lula. O ministro Gilberto Gil e Sérgio Mamberti , criaram, junto ao MST, uma Rede Cultural da Terra. Isso passou a ser cada vez mais uma questão estratégica para que o Movimento pudesse se fortalecer culturalmente, politicamente, e do ponto de vista da cidadania.

A Rede Cultural da Terra é a iniciativa governamental de fomento à produção cultural do meio rural brasileiro. Os projetos são guiados por meio de parcerias entre os grupos, representados por seus entes e agentes, e órgãos representativos do Governo Federal. Tem como objetivo constituir e identificar uma rede de atividades tomando como referencial a produção cultural no campo, seguindo as diretrizes do programa: realizar oficinas de capacitação, atividades ligadas às artes plásticas, artes cênicas, artes visuais, literatura, música, artesanato, oficinas de cultura digital e mapeamento da memória cultural dos trabalhadores do campo.

Sobre o governo Lula finalizo por aqui, para que você, leitor, não ache que estou exaltando e colocando o PT no pedestal. Mas que é verdade isso que falei, é.

Mais do que ocupar terra, é o uso do que foi conquistado para troca de experiências, potencializar a cidadania, educar etc.

Um exemplo é o Cinema na Terra. As primeiras projeções foram realizadas na Marcha Nacional pela Reforma Agrária, em 2005. No início, foram exibidos curtas sobre a história do MST e da luta pela terra. Entre eles, Raiz Forte e Caminhando para o Céu. Agora, o projeto parte para a exibição de longas. Outro projeto legal é o Sem Terrinha. O Sem Terrinha, pelo nome já dá para perceber que é voltado ao público infantil, estimula as crianças à produção de conhecimento, através de atividades lúdicas até a participação de plenárias informativas e por ai vai..

Enfim, são várias iniciativas legais do MST que não iremos ver na mídia. Não deixarei nenhum outro link aqui. A busca é mais divertida e vai ser uma aventura surpreendente. Dá um procurada!