A síndrome da reclamação e a oportunidade estagnada

Eventos de graça ou quase de graça e mesmo assim as pessoas não vão. O que falta para os empreendedores participarem das ações que estão surgindo?

Não tenho lugar para fazer minhas atividades. Então você consegue e a pessoa não vai.
Queria fazer tal curso, mas é caro. Então você consegue bolsa 50% a 100% e a pessoa não vai.
É muito longe o evento, se fosse perto iria. Então você faz no bairro e a pessoa não vai.
Não vou porque não vai ninguém interessante. Então você chama um convidado que a pessoa adoraria estar perto trocando figurinhas e a pessoa não vai.

O que acontece para que as pessoas só reclamem das ausências e ignorem as oportunidades?

Não gosto de justificar nada dizendo que é algo cultural. Até porque cultura é convenção, criação humana que pode ser alterada. Mas terei que apelar pra isso e dizer que pode ser cultural.

Os movimentos sociais, por exemplo, são pautados na reclamação. Primeiro identificam o problema e vão  reclamar, gritar e exigir soluções. Poucos são aqueles que identificam o problema, pensam numa possível solução e compartilham com os demais. Talvez a síndrome da reclamação venha daí. Isso não significa que reclamar seja uma coisa ruim, mas não é o suficiente e talvez nem justo, quando se têm iniciativas e soluções surgindo, mesmo que de forma descentralizada.

Os eventos que o Desabafo Social e eu têm feito, o público comparece. Que bom! Mas mesmo aparecendo uma única pessoa, temos que fazer com aquela pessoa.
Terei que citar Projota, porque a música dele faz sentido agora.

Rimei pra 30 mil emocionadão, rimei pra meia dúzia a mesma emoção

E parafraseando o poeta Sérgio Vaz, não é preciso cultivar multidões.

Em um outro texto falei sobre os coworkings.  Fazendo uma pesquisa rápida no meu Facebook a maioria das pessoas afirmaram que utilizariam coworking para realizar trabalho diário, fazer apenas networking, participar de cursos e treinamento e fazer reuniões. Então, por que as pessoas não estão no coworking, já que os preços são acessíveis ou de graça? (Entre R$ 0 e R$ 100)

Em nosso imaginário e na realidade social as ausências são maiores que a abundâncias. Ainda mais quando há o recorte racial, de gênero e de classe. Mas quando a abundância chega, não deixem as síndromes da reclamação fechar seus olhos para isso.