Primeiro e, talvez, único depoimento sobre o Profissão Repórter

Esse talvez seja meu único texto a respeito da minha participação no Profissão Repórter. Então, vamos lá!

15 de fevereiro de 2017. A primeira reportagem não dá para esquecer. Ainda mais se é uma pauta que você sugeriu, gravada em sua terra e com o profissional que você admira tanto, que nunca imaginou que um dia iriam trabalhar juntos.

Estava super preocupada, claro! Tudo poderia dar errado para uma menina sem experiência que iria estrear em rede nacional. Mas a parte boa é que:

  1. A ideia do Profissão Repórter é essa: jovens jornalistas que não tem experiência
  2. E como disse o jornalista Felipe Gutierrez ” uma das vantagens do Profissão Repórter é  que o programa permitem que as coisas deem ‘errado’. Havia uma compreensão de que tentativas frustradas de uma entrevista podem ser até mais reveladoras do que a própria entrevista”.

Então me acalmei.

Como Jéssica Ellen falou: “Vá com o pé esquerdo. O pé que fica do mesmo lado do coração”. E fui!

Ontem, depois da minha estreia , percebi que:

1. A exigência comigo será 4x maior. Além de ser mulher, negra, jovem tem o fato da minha história com o Desabafo Social e coisas afins. Logo, as pessoas acreditam que as mudanças na televisão brasileira são instantâneas só pela minha simples presença. Então, se acalmem aí, porque se vocês não estão cansados, eu estou.

2. Existe uma linha muito tênue entre linguagem adequada e que é utilizada pela militância e o que a maioria dos brasileiros vão entender. Isso é exercício que só quem está nas duas posições sabe que precisa fazer.

3. Como diz Lázaro, não temos que dá conta de tudo. Um único negro não dará conta de tudo e tudo bem. Sigo com ele!

4.­ Nem toda mudança precisa ser verbalizada e muito menos publicada nas mídias sociais. Respirem aí!

5. Estou feliz e não tenho porque não ficar.

6. Vai um poema:

Messias,
Disseram que você iria voltar
E essa demora toda
É pra me castigar?
Messias,
Aqui eles confundem as coisas
Têm certezas de outras
E só porque nosso nome começa com M
Querem também me crucificar
Messias,
Como se não bastassem as opressões que já tenho
Eles só sabem
Cobrar, pautar, demandar
E nada sabem sobre
Abraçar, convidar e passear
Messias,
Os meus e os estranhos fazem a mesma coisa
Só querem colocar mais carga
E nada de dividir o peso
Acha que só um negro vai dá conta
Me diz,
Onde desligo o botão
Marcar, mencionar e solicitar?
Messias,
O bastão está nas minhas mãos
Mas propositalmente
Poderei deixá-lo cair
Se a tempo você não chegar.

  • Geovanna Costa

    Você foi maravilhosa é isso que importa. Críticas sempre irão existir, a ideia é seguir em frente. Sempre.