Réveillon o ano todo

Acordei, levantei e fui direto abrir o e-mail. Parece que eu estava sentindo que tinha alguma coisa me esperando lá. E realmente estava. Estava no Spam, mas estava. Era o aviso da minha professora sobre a prova. Vale ressaltar que a prova deveria ser realizada antes do recesso de final de ano, mas por questões de desastres naturais, não foi possível. Pois bem, ela mandou o email dizendo que a prova será no dia dez de janeiro e isso faz com que os alunos estudem mais.

Por um momento, achei legal. Só que parei para pensar um pouco. Foram duas semanas de recesso. Natal, Réveillon, praia, festas etc. A professora está de brincadeira, né? Não teremos férias, e assim que voltamos de recesso, vem uma prova. Se fosse fácil não seria UFBA.

Sem estresse por hoje, porque o dia está lindo e o sol está de matar! Tive que ir com meu pai ao shopping. Já imaginei que seria legal. Afinal, pegar ônibus já é uma aventura. Tirando eu e meu pai, tinha uns cem passageiros no ônibus. Recebemos todo calor humano enquanto estávamos em pé. Por favor, não imagine a cena. Foi trágico.

Mesmo com o ônibus totalmente lotado, algum ser humano teve a brilhante ideia de pegar o celular e colocar no último uma música. Essa pessoa pensou que estava fazendo um ótimo favor para humanidade, só pode.  Eu devo ser a única que tem consciência da lei municipal a qual proíbe o uso de aparelhos de som com autofalantes ou similares nos coletivos.

Depois de uns cinquenta minutos sofrendo na caixa de sardinha, vulgo transporte coletivo, e com o trânsito congestionado, cheguei ao meu lugar de destino. Como se não bastasse o que sofri, passo por uma banca de revista e vejo a capa do jornal dizendo que o prefeito da cidade quer tornar o réveillon de Salvador o maior do Brasil. Take it easy prefeito! Começar a melhorar a mobilidade urbana da capital, já seria um ótimo passo. Afinal, réveillon não é o ano todo.