Futuro: Tendências e manutenção do racismo

No final de 2016 participei do Fórum do Amanhã onde o sociólogo italiano, Domenico de Masi, palestrou. E recentemente participei do Trainning Masterclass, realizado pela Youth Business International em parceria com Aliança Empreendedora, e a primeira palestra foi sobre o fim do emprego, com Rafael de Tarso, professor de Empreendedorismo e Inovação. O que essas palestras têm em comum? Falam sobre futuro.

Destaco as principais observações sobre essas palestras:

  • Brasil, um país pacífico e miscigenado
  • Economia compartilhada e experiência do usuário
  • Inteligência artificial
  1. BRASIL, UM PAÍS PACÍFICO E MISCIGENADO

homicidios-por-dia-brasil-israel-palestinaFalar das belezas naturais, exaltar o Brasil pacífico e se encantar com Gilberto Freyre. Foi assim que Domenico de Masi iniciou sua palestrar.

Começar uma palestra assim, já me deixa com um pé atrás. Mas ouvi até o final para não responder de forma equivocada.

Com seu olhar futurista, Domenico fala que o Brasil pacífico comparando com outros países que fizeram guerra. A exemplos da Itália, Áustria e Alemanha que provocaram duas guerras mundiais.

Tentei avisá-lo que o  Brasil mata mais que um país guerra. Segundo os dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública 2016, entre 2011 e 2015, foram 278.839 assassinatos. Destes, 58 mil morreram vítimas de crimes violentos e intencionais. Na Síria, um país em guerra, houve 256.124 mortes.

Sobre o argumento da beleza de um país miscigenado, Domenico utilizou Gilberto Freyre, que romantizou a escravidão em seu livro Casa Grande e Senzala.

2. ECONOMIA COMPARTILHADA E EXPERIÊNCIA DO USUÁRIO

Sem dúvidas os serviços de economia compartilhada vieram para ficar. Rafael de Tarso mostrou alguns exemplos e destacou que os consumidores não querem apenas comprar um produto. Querem viver a experiência daquele produto ou serviço.

Provavelmente você já usou Uber ou Airbnb, né?! Esses serviços nada mais é que economia compartilhada e experiência para o consumidor.

Mas isso não significa que os velhos costumes, as violações de direito não ocorram.

De acordo com o estudo realizado pela National Bureau of Economic Research, órgão americano de pesquisas relacionadas à economia, se você é uma pessoa negra você espera 35% mais tempo por um Uber. E se você for homem negro, as chances da corrida ser cancela só aumenta. E se for reservar uma casa na Airbnb, sua chance é 16% a menos, segundo a pesquisa da Harvard Business School.

Ruas estreitas, ladeiras e algumas vias de terra. “Ninguém quer subir o morro. Nem a Uber para ganhar dinheiro”, conta Henrique Deloste, líder comunitário da Brasilândia, distrito da periferia da zona norte de São Paulo.

Parafraseando Túlio Custódio, em serviços como esses, a reputação (perfil do usuário) chega antes da experiência começar.

3. INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Há quem tenha receio, há quem ache incrível. Mas seria bom termos um robô para nos ajudar nas coisas, né?!

O único problema é que, se o robô interagir com os humanos, ele irá absorver comportamentos humanos. Humanos não são apenas paz e amor. Isso a Tay, robô da Microsoft , percebeu em menos de 24h.

Em apenas um dia, o robô da Microsoft começou a reproduzir comentários racistas, machistas e homofóbicos nas redes sociais.

Por que será?

Pois bem, esses três pontos não são pessimistas. Não estou negando a importância dessas tecnologias e evoluções. Mas é importante destacar que os avanços estão acontecendo e com eles a manutenção do racismo, machismo e sexismo. E enxergar os lados da moeda, pode servir de base para tentarmos resolver a raiz do problema.

Indico dois grandes textos que trazem insights sobre o futuro, sem esquecer das questões sociais e culturais.

  1. O futuro da periferia ou a periferia do futuro?
  2. O Momento Iridium e o Futuro
  3. Coworking: tendência ou dor de cabeça?
  4. Dinheiro não embranquece ninguém e a nova classe média é a prova disso