Collective from Bahia launches social network on collaborative learning

The social network is created to facilitate the communication and collaboration of Desabafo Social and other collectives

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Taking the opportunity of the Human Rights Day, on December 10th, Desabafo Social promotes its newest social network: Ubuntu. Ubuntu is an idiomatic expression of Zulu language that means “I am because we are”. Based on the belief that we are more if we are united (as a unit), Desabafo introduces this collaborative network with the aim of connecting people, occupying spaces and establishing a relationship network that focuses on human rights, especially on social and political participation.

For a year and a half, the Inspiration Director and founder of Desabafo Social, Monique Evelle, went about the streets of Salvador on her own, speaking of the Human Rights to whoever would listen. The situation changed when she followed an advice and decided to turn the project into a network. “We know that the situation of many other projects is not easy. There is lack of communication, synergy and means for these projects to grow. Ubuntu is born to reduce such difficulties, by creating collaborative spaces”, explains Monique

We invite all of you who are interested in debating Education, Communication, Race Relations, Childhood and Youth Rights, Gender and other topics, to participate in Ubuntu. Users may be able to use the platform to administrate the activities of their own projects and initiatives. Besides, we will create an environment for volunteers to get to know the projects and take part on those in which they feel interest.

The spaces are available to create, in a collaborative way, working methodologies, to manage projects and to communicate fast and easily.

Enter:  http://bit.ly/UbuntuDesabafoSocial

Tire sua ideia do papel com financiamento coletivo

Colaboração, ideias criativas e plataformas digitais. Com isso chegamos ao Crowdfunding.

O mundo está cheio de pessoas com excelentes projetos, mas nem todas conseguem financiar suas ideias. O financiamento colaborativo, também, conhecido como Crowdfunding, é considerado metodologia complementar de levantamento de fundos para a viabilização de projetos.
 
Destaco aqui algumas falas importantes, fazendo algumas observações, para que você se aproxime mais do debate de financiamento coletivo :

O crowdfunding é ideal para pessoas não famosas, mas com algum público considerável (Peter Sunde,Flattr.com)

 

Isso significa que é mais Crowd (multidão/coletivo) do que funding (financiamento). Digo isso, porque quando colocamos uma ideia para ser financiada, vai depender MUITO de sua rede de contatos e articulação.

O financiamento coletivo é a revolução da participação, um novo paradigma de responsabilização: eu sou, eu me importo e eu financio o que quero ver acontecer (Felipe Caruso, Catarse)

 

Ou seja, crowdfunding não é esmola! Se isso passou pela sua cabeça, esqueça! As pessoas vão investir naquilo que elas realmente querem ver acontecer.

 

O que diferencia é nossa agilidade. Um projeto realizado com financiamento público tem trâmites que duram anos. Nossas campanhas duram 60, 70 dias (Ana Ly, Variável 5)

 

Alguns processos de financiamento são burocráticos, como os editais. O financiamento coletivo permite maior velocidade, dinâmica simples, de fácil execução, linguagem mais acessível.

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Estamos nos posicionando não como uma tendência, mas como uma realidade (Bernardo Obadia, Bookstar)

 

Só o Catarse, maior plataforma de financiamento coletivo do Brasil, arrecadou cerca de R$ 1,5 milhão. Em 2014 fechou o saldo com R$ 11,9 milhões e o número de apoiadores subiu de 14.494 para 89.560. De acordo com o The Crowdfunding Center , em todo o mundo, crowdfunding arrecada US$ 2 milhões por dia, ou seja, em torno de R$ 6 milhões. Isso é o equivalente a US$ 87 mil por hora, ou US$ 1,4 mil a cada minuto.

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Parece a solução para os nosso problemas. Mas calma! É necessário fazer um planejamento antes de colocar seu projeto numa plataforma de financiamento coletivo.

Primeiro pense e planeje algumas coisas como:

1. Quais são as vantagens e desvantagens do Crowdfunding para o meu projeto?
2. Por que as pessoas iriam contribuir para que minha ideia saia do papel?
3. Qual a melhor plataforma de financiamento para o meu projeto?
4. Quais materiais irei utilizar na campanha?
5. Quais serão as recompensas para os meus apoiadores?
6. Qual será minha meta?
7. Quem são meus potenciais apoiadores?
8. Como irei divulgar minha campanha?

Sobre os potenciais apoiadores, posso dar algumas dicas. Sempre se pergunte por que alguém doaria para seu projeto. Alguns motivos são:

1. Conhece a pessoa que criou a campanha
2. A campanha deixou a pessoa comovida
3. A pessoa tem dinheiro e quer contribuir porque acredita na ideia
4. Já faz parte da tradição familiar fazer doações
5. Quer ser coautora/cocriadora do projeto
6. Quer se sentir útil ajudando alguém

Gostou? Então vamos conversar sobre financiamento coletivo. Chama aqui: Tire sua ideia do papel

10 ferramentas para expandir e aumentar o impacto do seu projeto

Como aquele projeto conseguiu ter tanta visibilidade e alcançar o Brasil? Se isso já passou pela sua cabeça, essa publicação é para você! 

Quando conhecemos algum projeto ou negócio social dando certo, muitas vezes nos perguntamos “por que minha ideia não alavanca?” ou então “eles conseguiram porque tiveram dinheiro para investir”.  Tentarei aliviar seus sofrimentos.

A primeira coisa é não comparar seu início com o meio de ninguém. Cada um começa de uma forma e pensa de um jeito. Entenda que você é a única pessoa responsável pela transformação que quer ver no mundo. Então invista em você! Para te ajudar fiz uma lista de ferramentas gratuitas que costumo utilizar no Desabafo Social. Com essas ferramentas você irá gerir melhor seu projeto, garatindo visibilidade e aumentando o impacto.

[DESIGN] É sempre um desafio encontrar imagens de boa qualidade e ainda por cima gratuitas. No Freepik você encontra vetores, ícons e fotografias gratuitas para divulgar seu projeto.

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[ORGANIZAÇÃO] Com o Wunderlist você pode organizar toda sua vida! Você organiza sua vida pessoal, trabalhos , féricas e muito mais! Adicionte datas de entrega, compartilhe com colaboradores e acesse de qualquer dispositivo.



[ORGANIZAÇÃO] Agora você pode criar uma agenda online! As pessoas marcam o dia e a hora de acordo com sua disponibilidade.  Ainda você pode sincronizar automaticamente os agendamentos ao seu calendário. Muito simples!

[ORGANIZAÇÃO] Seja mais produtivo, organize seu tempo. Com o Trello você pode gerir seu projeto de maneira visual, integrar o Dropbox ou Google Drive e ainda contar com a colaboração de um time.

[ORGANIZAÇÃO] Organize suas ideias construindo um mapa mental. Utilizando o Bubbl  você consegue comunicar o que deseja de uma forma mais fácil e visual. Serve para você entender e solucionar problemas do seu projeto, realizar brainstormings (chuva de ideias) e criar ações estratégicas.

[ORGANIZAÇÃO] Você precisa enviar um arquivo acima de 1GB, mas não consegue enviar por email? O Wetransfer é um serviço que permite transferir arquivos de até 2GB

[ORGANIZAÇÃO] Utilize o Behance para criar portfólio online diversos tipos de portfólios como vídeos, animações, peças gráficas e websites. Uma plataforma sensacional e totalmente gratuita.

[COMUNICAÇÃO]  O Mailchimp é uma das melhores plataformas de envio de email marketing totalmente gratuita e permite enviar até 12 mil email por mês. Organize sua lista de email e saiba como fazer uma boa campanha de email marketing.

[COMUNICAÇÃO] Com o Hangout on Air você pode transmitir ao vivo qualquer evento em seu canal do YouTube e em seu site.

[MONITORAMENTO] O Goolgle Alerts é um serviço de clipping automático. Escolha seus assuntos de interesse e cada vez que sair uma matéria sobre temática  que você escolheu, o Google Alerts irá te avisar por email. Isso vai facilitar sua vida e muuuuuito!

Gostou? Se quiser mais dicas é só fazer a inscrição para Mentoria Online totalmente gratuita: Inscrições

II Jornada de Estudos e Workshop Jovens e Horizontes Utópicos: Sustentabilidade e os Desafios Contemporâneos | Observatório das Juventudes da PUCPR

Nas últimas duas décadas, tem-se percebido o desenrolar de uma ampla mobilização entre os países pela busca de soluções que objetivam a melhoria da relação dos seres humanos entre si e, também, com o ambiente em que vivem. Em uma breve retrospectiva histórica, revelam-se momentos que marcaram a necessidade e a urgência de atenção ao tema, como a reunião de Copenhague, em 2009, a Assembleia do Milênio com a participação dos membros das Nações Unidas, em 2000, a assinatura de protocolo de Kioto, em 1997, e a Eco 92, na cidade do Rio de Janeiro. E foi a partir deste último encontro que o assunto, sob o nome de sustentabilidade, começa a aparecer com maior incidência e a ganhar grande notoriedade no Brasil.

Transcendendo apenas à questão ambiental, a sustentabilidade passa a ser relacionada a outros setores da sociedade como a economia, a educação e a cultura; percebe-se que ela está intimamente ligada ao desenvolvimento social e ratifica-se que saber suprir as necessidades presentes, sem interferir negativamente nas gerações futuras, sinaliza um caminho ideal a ser trilhado. A preocupação e o cuidado com o coletivo tornam-se fundamentais e, dessa forma, fomenta-se a ideia de que as práticas individuais devam convergir sempre para soluções que atinjam a garantam uma melhora comum a todos.

E nesta perspectiva, de ter um olhar diferente para o planeta e o futuro do mesmo, encontram-se inseridos os jovens, protagonistas das grandes transformações sociais. Donos de uma consciência mais ampla estão cada vez mais receptivos a mudar atitudes e a promover o desenvolvimento sustentável por meio do comprometimento com o meio ambiente e com a sociedade; há um nítido interesse dos mesmos em valorizar a gestão inteligente dos recursos naturais e um estilo de vida com hábitos mais saudáveis e sem excessos.

Diante deste contexto, a formação destes jovens, e das lideranças que atuam no processo de ensino-aprendizagem com os mesmos no tema da sustentabilidade, torna-se essencial. É com este intuito, de sensibilizar e empoderar pessoas de conhecimentos capazes de contribuir para a sustentabilidade planetária, que se propõe a Jornada de Estudos e Workshop Jovens e Horizontes Utópicos: Sustentabilidade e os desafios contemporâneos.

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INSCRIÇÕES

Alunos e Ex-alunos PUCPR – R$25,00

Professores PUCPR e Colaboradores Grupo Marista  – R$30,00

Professores e Educadores da Rede Pública de Ensino, Aliança Educativa , Associados APEAM (Associação Paranaense dos Engenheiros Ambientais) – R$35,00

Comunidade Externa – R$50,00

Estes valores permitem o  acesso à toda a programação da II Jornada de Estudos e Workshop.

Sua inscrição será validada  após o pagamento do boleto que será encaminhado ao seu e-mail. Por isso, é importante que nos forneça um e-mail válido.

INSCRIÇÕES AQUI

Mucho con Poco – Líderes Innovadores de América Latina

Conheça os brasileiros que são orientadores de organizações e projetos na América Latina na plataforma Mucho con Poco. Os orientadores são especialistas em diferentes campos que colaboram com os serviços de empreendedores sociais e as organizações juvenis que precisam fortalecer suas iniciativas. Quer receber apoio? Acesse:http://www.muchoconpoco.org/apoyo

BRASIL

Workshop Aprendizagem baseada em Projetos | Desabafo Social

CURSO PARA EDUCADORES

Por que os educadores do século XX não conseguem acompanhar as demandas dos educandos do século XXI? Por que insistimos em reproduzir o modelo educacional do século XVIII? Será que detalhar um conteúdo, pedir um exercício de fixação e preparar as avaliações é uma metodologia que está dando certo na sala de aula? Como está organizado o ambiente de aprendizagem? Em fileiras? Cada cadeira tem o nome de um educando?

Pensando nessas questões o Desabafo Social criou o Workshop – Aprendizagem baseada em Projetos para apresentar possibilidades de atuação dos educadores, gestores, comunicólogos e os demais interessados. Começaremos por Salvador-BA.

PÚBLICO: O Workshop é voltado para todos os profissionais que tenham interesse na área de educação.

DATA: 10 e 11 julho

LOCAL: Centro de Estudos e Assessoria Pedagógica (CEAP)

INVESTIMENTO:  O investimento necessário para participar do curso é de R$ 50,00. O dinheiro arrecado com a realização desse curso financia a continuidade das ações do Desabafo Social.

CERTIFICADO : 10H

CONTEÚDO:

Durante os encontros, os participantes vão aprender e trocar experiências sobre:

10 DE JULHO – Educação em Direitos Humanos

  • Construtivismo e Interacionismo
  • Ensino e Aprendizagem
  • Metodologias Inclusivas

11 DE JULHO – Educação pela Comunicação

  • Tecnologias na Educação
  • Ambientes Virtuais de Aprendizagem
  • Metodologias de Avaliação

METODOLOGIA:

– Roda de Conversa

– Trabalho prático em grupo desenvolvido durante o workshop.

SERVIÇO:

O que? Workshop – Aprendizagem baseada em Projetos

Onde? Centro de Estudos e Assessoria Pedagógica – CEAP (Avenida Leovigildo Filgueiras, 683 – Garcia | CEP: 40100-000 – Salvador/Bahia – Tels: 71 3328-3784 / 3783 , próximo ao Colégio Antônio Vieira).

Quando? 10 e 11 de julho (Turma 1: 08h às 12h e Turma 2: 14h às 18h)

Quanto? R$ 50,00 (Pagamento à vista no primeiro dia de workshop – 10 de julho

O próximo Workshop do Desabafo Social será sobre Gênero e o Uso não Sexista da Linguagem. Aguardem!

GÊNERO - WORKSHOP

20 anos da internet, 200 milhões de blogs no mundo e surge o Trabalhador da Notícia

De acordo o estudo feito pela empresa de análise de tráfego online Sysomos, o Brasil é 4º país do mundo em número de blogueiros. Além disso, pessoas entre 21 e 35 anos são as que mais utilizam os blogs e mais de 50% são mulheres.

O jornalista, radialista e vice-presidente da Associação Bahiana de Imprensa Ernesto Marques resistiu até o último minuto, mas este ano passou a fazer parte dessa blogosfera.  O lançamento do seu blog Trabalhador da Notícia ocorreu no dia 7 de abril, o Dia do Jornalista.

O Trabalhador da Notícia disputa atenção no ciberespaço, apostando na qualidade do conteúdo e nos comentários polêmicos sobre temas da atualidade. Confira o bate-papo com Ernesto.

1. No dia de lançamento do seu blog, você publicou a frase ” Neste 7 de abril, o jornalista Ernesto Marques vira blogueiro pra fazer jornalismo”. Quando você decidiu utilizar as novas mídias para fazer jornalismo?

Desde que deixei a assessoria do ex-governador Jaques Wagner em maio de 2011, mergulhei na militância político-partidária e, naturalmente, me distanciei da atividade jornalística. Não considero que sejam coisas incompatíveis, mas ainda vivemos sob o mito da objetividade jornalística que nos impõe uma visão exageradamente romântica da profissão. Os próprios jornalistas cobram dos colegas que decidem atuar como militantes, dentro ou fora de partidos, uma isenção que nunca é cobrada dos nossos patrões – muitos deles no exercício de mandatos, ou visceralmente engajados em governos, parlamentos e campanhas. Decidi colocar em prática essa ideia que já acalentava há algum tempo, mas sem compartilhar essa fantasia da isenção. Então procuro fazer um jornalismo mais de opinião, pelo menos até criar condições para ter reportagem como carro-chefe do blogue. Depois de 9 anos como sindicalista na área de rádio e televisão, depois de uma quase candidatura a vereador e de uma disputa pela presidência estadual do PT, a alternativa das novas mídias era o caminho mais fácil por depender apenas da minha decisão pessoal. Mas quero muito fazer rádio. Até lá, vou dar sangue no blog.

2. O nome do seu blog é Trabalhador da Notícia. Por que escolheu esse nome?

Primeiro, porque nunca viajei naideia que seduz muitos colegas, como se nós não fossemos tão trabalhadores quanto os gráficos, os administrativos das empresas de comunicação, os motoristas das equipes de reportagem, os técnicos, etc. Então é, antes de mais nada, uma declaração de plena consciência de classe. Segundo, em homenagem a um grande jornalista e militante, que foi Perseu Abramo. “Um trabalhador da notícia” foi seu slogan de campanha e é título do livro organizado por sua filha, Bia Abramo, com uma primorosa coletânea de artigos de Perseu. É uma figura que vale a pena conhecer

3. Quais os principais temas abordados em seu blog?

Ernesto Marques

A pauta gira mais em torno de política, daqui de Salvador, da Bahia, mas também nacional. Mas aos poucos temos agregado colaboradores regulares, como o jornalista Eugênio Afonso, que tem produzido textos muito interessantes sobre televisão, cinema e comportamento. mais recentemente, o professor de História, Renato Santos, que foi meu primeiro editor, quando participei da equipe do jornal da escola em que estudei o antigo segundo grau. Além de excelente texto, Renato traz reflexões preciosas sobre questões internacionais, como a xenofobia crescente na Europa e o conflito da Palestina.

4. Quanto tempo você se dedica ao Trabalhador da Notícia?

Depende muito das circunstâncias, já que o blogueiro tem que se virar pra ganhar a vida em outras atividades. Normalmente invisto algumas horas das madrugadas, para não comprometer a agenda do cotidiano e também por ser um período de menos movimentação nas redes sociais, mais silêncio e menos fatores de dispersão. Mas não é suficiente, até porque depois de 3 ou 4 dias abrindo mão de algumas horas de sono, o cansaço se apresenta. Mas escrevo – e leio, obviamente – para o blogue em outros turnos e nos fins de semana.

5.  Este ano a internet completa 20 anos com mais de 200 milhões de blogs no mundo e milhares de grupos de mídia livre espalhados pelo Brasil. Isso significa que a internet democratizou a comunicação?

Acho um exagero dizer que ela democratizou a comunicação, mas é inegável que houve um avanço espetacular. No entanto, não podemos esquecer que a rede é uma “invenção” que já nasceu militarizada, nem podemos desconsiderar que a internet depende de mega-empresas que defendem seus interesses enquanto prestam-nos serviços. A Internet não é uma panaceia, ela traz muitas possibilidades, mas traz riscos também. No entanto, seria um tremendo exagero negar seu efeito democratizante sobre as comunicações e, nesse sentido, considero que o Brasil deu uma grande contribuição ao aprovar o Marco Civil da Internet. Não é coisa para se deixar ao bel sabor do deus mercado.

6. Como você enxerga essa comparação entre regulamentação da mídia e censura?

Não acho razoável falar em qualquer mecanismo de censura. Há muita mistificação sobre a proposta de regulação defendida por um conjunto expressivo de movimentos sociais articulados em torno do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação. O que se propõe é uma regulação econômica, para combater os oligopólios que já são banidos expressamente pela nossa Constituição. A regulação que defendemos não institui qualquer mecanismo de censura, mas propõe a adoção aqui, de regras como a proibição da chamada propriedade cruzada (um mesmo grupo operar empresas de rádio, televisão, impressos…) e outros mecanismos de proteção da sociedade que já existem há décadas nas democracias mais consolidadas do mundo. Mas é só reparar que os artigos da Constituição de 1988 que tratam de comunicação, nunca foram regulamentados por um Congresso Nacional repleto de radiodifusores ou de parlamentares sustentados por empresários da comunicação. É o que eu falei no começo: nós profissionais, costumamos ser rígidos na cobrança da tal isenção, entre nós, enquanto os nossos patrões se organizam para defender seus interesses. Ou seja: se organizam para manter tudo como está. E ai levantam logo, hipocritamente, a acusação de que nossas propostas ameaçam a liberdade de expressão. É um argumento torpe.

7. Existem vários blogueiros que sofrem perseguições políticas ou não tem apoio financeiro para se manterem. É seu caso?

Não tenho razões para reclamar de perseguição política por causa do meu trabalho no blogue. Mas não me surpreenderei se tal ocorrer, porque tenho apetite para temos quentes, como os efeitos nefastos da especulação imobiliária sobre a nossa qualidade de vida (caos no trânsito, alagamentos, deslizamentos de terras) ou a barbárie decorrente desta mesma especulação sobre os moradores do Centro Histórico. Procuro tratar os fatos e fontes com o devido respeito aos preceitos da profissão, mas as vezes é exatamente isso que incomoda. Já comi o pão que o diabo amassou por encarar outras pelejas e já fui duramente perseguido. Enquanto tiver forças, tô na luta, desejando contribuir com o meu trabalho para termos uma sociedade melhor.

8. Jornalista, radialista, vice-presidente da Associação Bahiana de Imprensa e agora blogueiro. Todo blogueiro faz jornalismo?

Não necessariamente, até porque o jornalismo não é a única utilidade da blogosfera. Jornalismo é uma profissão que tem seus códigos, suas técnicas e, portanto, só pode ser feito por quem escolheu a profissão e se preparou técnica e eticamente para isso. Mas produzir conteúdos não é exclusividade de jornalistas, e há blogueiros fazendo um belíssimo trabalho na Internet.

A tímida presença feminina em um espaço dominado por homens

Empoderamento feminino, dificuldades na carreira e machismo, são temas recorrentes nas conversas entre mulheres da cultura hip hop

Monique Evelle
Larissa Calixto

Nos últimos anos as mulheres passaram a ocupar um espaço maior no universo do hip hop nacional. Nomes como Karol Conká e Flora Matos ganharam destaque produzindo rap. Mas essas são apenas duas referências femininas, no universo dominado por homens como Emicida, Projota, Criolo, Mano Brown, Rashid dentre vários outros.

A conotação sexista das letras de rap  é uma questão que desagrada algumas mulheres do meio. Em 2013 o rapper Emicida lançou a música Trepadeira, causando polêmica e dividindo opiniões. O cantor divulgou uma nota pública explicando que a música fala de uma história ficcional, mas isso não foi o suficiente para convencer a estudante Marina Lima. Para Marina a música tem diversas passagens machistas.

“A música desfaz da mulher, como se ela não tivesse o direito de ter mais de uma relação. Gosto de Emicida, mas essa música é inadmissível”, declara. 

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Priscila Passos – Fotografia: André Costa

O estilo das minas– Usando bonés, cabelos black power e roupas coloridas as meninas do hip hop estão buscando se afirmar através da moda e atitude na forma de se vestir.  Poucas mulheres que faziam parte do movimento vestiam roupas largas, de forma “masculinizada” para chamar atenção pela rima e não pelo corpo. Hoje essa liberdade de se apresentar como mulher no hip hop está evoluindo pelo crescimento do ativismo para a conquista de espaços femininos que antes não ocupavam. A dançarina de Popping Dance, Priscila Passos, afirma que tem dificuldade em deixar de vestir roupas masculinas. Agora ela está tentando mudar seu estilo. As marcas de roupa voltadas à cultura hip hop está atenta ao crescimento da participação feminina e têm coleções voltadas para esse público, como o Laboratório Fantasma.

Fé Nas Meninas - HIP HOP - Coletivo Boom Clap
Fé Nas Meninas Hip Hop – Fotografia André Costa

Projetos voltados para as mulheres – Em março deste ano, aconteceu a primeira edição Fé Meninas Hip Hop em Salvador, uma celebração do Hip Hop ao Dia Internacional da Mulher. O evento buscou celebrar com arte o dia de luta e resistência das mulheres. A segunda edição está prevista para julho, garantindo a visibilidade da mulher na cultura hip hop independente de datas comemorativas.

Há dois anos ocorre em Salvador, no Pelourinho, o 3º Round – Circuito de Rima Improvisada onde acontecem batalhas entre rappers. De acordo com  Lisia Lira, do coletivo Boom Clap, organizador do evento, poucas mulheres participaram das batalhas. Mira Potira participou na primeira temporada, Priscila Sina e Muza Mariano participaram na última edição. O evento contou também com a DJ Nai Sena.

Junto com a grafiteira Sista Kátia, a Mc Mira Potira organiza encontros com mulheres de Salvador que tem interesse em começar a rimar e por algum motivo não tem coragem, o Rima Mina tem o intuito de ensinar as meninas a arte do improviso nas batalhas de rima.

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3 º Round – Fotografia Deni Rodrigues
Fotógrafa abriu mão de seu emprego fixo e criou uma agência de modelos para pessoas com deficiência
Autoretrato Kica de Castro
Fotógrafa Kica de Castro www.kicadecastro.com.br

“Para muitas pessoas com deficiência acaba sendo um desabafo, pois mostrou para sociedade que beleza é um assunto que também precisa ser aceito com essa diversidade estética. No meu ponto de vista, acaba sendo um desabafo social.”  – Kica de Castro 

Monique Evelle

A publicitária e fotógrafa Kica de Castro, 38, de São Paulo (SP) abriu mão de seu emprego fixo e criou uma agência de modelos para pessoas com deficiência. E deu super certo!  Mais do que inclusão social o trabalho de Kica reflete a autoestima, o amor próprio e a valoriza a diversidade das pessoas com algum tipo de deficiência.

Para a paulistana o resultado do seu trabalho é ter pessoas com e sem deficiência ocupando os mesmos cargos e tendo seus direitos garantidos.  Confira o bate-papo entre Kica de Castro  e o Desabafo Social.

1.  Como surgiu a ideia de fazer uma agência voltada para valorizar os profissionais com alguma deficiência?

R.: Não foi bem uma ideia. Estava no luar certo, escutando as pessoas e fiz disso um negócio. Antes de ser fotógrafa, trabalhei por alguns anos em agências de publicidade. Cansada desse mercado de trabalho, fui fazer o que realmente não seria uma rotina , transformei a paixão em fotografar em profissão. No ano de 2000, deixei as agências de lado e comecei a fotografar eventos sociais e corporativos, coisa que faço até hoje. No ano de 2002, fui trabalhar como chefe do setor de fotografia em um centro de reabilitação para pessoas com algum tipo de deficiência física. Esse foi o grande começo!  As pessoas que ali entravam para ser fotografadas, não ficavam nem um pouco a vontade com essa parte. As fotos eram de corpo inteiro, peças íntimas, em casos mais raros era feito o nu, nas quatro posições globais: frente, costas e a duas laterais, tudo acompanhado com uma placa de identificação com o número do prontuário médico. Nada de arte, o foco ali era a deficiência. Para parte científica, eram imagens de extrema importância, porém, para autoestima, não ajudava em nada. Vendo o sofrimento das pessoas, algo tinha que ser feito. Transformei o setor em um estúdio fotográfico. Antes de fazer cada sessão, a pessoa tinha ao menos 5 minutos de contato com sua vaidade. Deixei no setor um pequeno espelho, pente, estojo de maquiagem, bijuterias, gel e muitas revistas de moda e beleza. No lugar de lágrimas discretas já era possível registrar sorrisos largos. Aos poucos as pessoas voltavam para o setor perguntando se eu fazia books, com finalidade pessoal. Na época, sem estúdio adaptado, dei a ideia de fazer as fotos após horário de expediente, na própria instituição, ao preço de custo. Não usava equipamento digital, então no caixa da instituição o que era cobrado era o valor do filme fotográfico e da revelação. Quando as pessoas recebiam as imagens, vendo que ali não tinha nenhuma manipulação de imagem, por meio da computação gráfica, as pessoas ficavam surpresas com o resultado e de conhecer a própria beleza. Nesse momento que as pessoas começaram a perguntar de oportunidades no mercado de trabalho. Incentivei a buscarem, indiquei algumas agências e antigos clientes, do tempo de publicitária. As respostas sempre negativas.  Vendo que os olhares já estavam com ar de tristeza, fui fazer pesquisa. Todos os resultados positivos estavam na Europa. O concurso de beleza, A mais Bela Cadeirante em Berlim, não era totalmente inclusivo, pois além de deixar de fora outras patologias, também não tinha a inserção de pessoas sem deficiência. O verdadeiro resultado da inclusão é ter no mesmo espaço pessoas com e sem deficiência ocupando os mesmos cargos, tendo as mesmas oportunidades, assim como direitos e deveres. No ano de 2007, deixei meu emprego fixo de lado e apostei em ter uma agência de modelos, segmentada para profissionais com alguma deficiência, o que é considerado como pioneirismo aqui no Brasil.

2. Você teve muitas resistências no início? 

R.: Tive e ainda tenho. Tudo que é novo as pessoas acham estranho. Apoio não tive, nem das pessoas com deficiência que achavam que isso era uma loucura. Abri a agência com 5 modelos, mas hoje  mudamos o quadro para 87 agenciados em território nacional.  A culpa, não é do preconceito. Atualmente as pessoas com deficiência , em grande maioria não conseguem ver que estamos falando de um mercado de trabalho que para ser profissional é preciso estar qualificado, estudar, ter disciplina e fazer as mesmas etapas que os profissionais sem deficiência fazem,  para ser reconhecido como tal. Muitas pessoas querem ser modelos, mas não estão preparados para atuar nesse mercado de trabalho. 

3. Como funciona a seleção desses profissionais para a realização de ensaios fotográficos? É por demanda espontânea ou você que procura essas pessoas?

R.: Graças a Deus, depois de anos de trabalho, muitas pessoas entram em contato com agência querendo fazer parte do nosso elenco. É marcado um dia, no qual a pessoa passa por teste e avaliação do perfil profissional. Em alguns casos, fazemos o caça talentos, para descobrir novos profissionais e oferecer para nossa carteira de clientes.

4. Você cobra para fazer o ensaio fotográfico?

Agenciada Paula Ferrari

R.: Como fotógrafa tenho vários trabalhos no qual eu cobro, pois é a minha profissão e preciso ter um retorno financeiro. Quando a pessoa quer um book pessoal, sendo pessoas com ou sem deficiência, essa é uma prestação de serviço no qual existe um custo. Quando a pessoa com deficiência tem intenções de ser modelo, de fazer parte do nosso casting, não existe custo inicial. As fotos são ferramentas de trabalho e só terão  custos quando conseguirmos o trabalho para nosso agenciado. A agência ganha 20% e os 80% restante são dos modelos.

 5. Um trabalho de inclusão social através da fotografia com certeza já teve vários resultados. Você pode falar alguns?

R.: Muitas pessoas falam em uma nova realidade cultural, mostrar que a questão beleza não é algo padronizado, que a diversidade também tem o seu lado belo, levando as pessoas para diversas exposições fotográficas, sem precisar esconder as deficiências.  Outras pessoas associam com quebra de paradigmas, valorização do ser humano, como ele é não importa o tipo físico. Recebo várias mensagens de pessoas com deficiência relatando que depois que viram o trabalho da agência perderam a vergonha, começaram a ter amor próprio e não ficam mais isoladas em casa. O mercado de consumo esta vendo a existência de 46 milhões de consumidores com algum tipo de deficiência e estão investindo com o surgimento de novas tendências, como  o exemplo de roupas adaptadas, no qual muitos estilistas estão fazendo aposta para esse mercado.

6. Você desenvolve outro trabalho além desse?

Cassio Sgorbissa
Agenciado Cassio Sgorbissa

R.: O trabalho é divido em fotografar, parte de agenciamento dos profissionais com alguma deficiência, colunista da revista Reação, escrever sobre moda e beleza para esse segmento. Também tenho uma coluna na revista digital Tendência Inclusiva, no qual mostro as fotos que são feitas na agência e direção em um programa voltado para assuntos inclusivos da pessoa com deficiência, Viver Eficiente, transmitido pela TV Cidade de Osasco, domingos às 14hs, canal 15 da NET Região Oeste de São Paulo, Canal 8 Cabonnet Osasco e pelo site da emissora: www.tvcidadenet.com.br

7. No seu site tem algumas instituições como Deficiente Sim, Mãe Especial, Movimento Inclusão Já, ONG Essas Mulheres entre outros. Como essas instituições contribuem com o seu trabalho?

R.:Temos parcerias com empresas e instituições. Sabemos que sozinhos não vamos longe e nem damos continuidade em nossos trabalhos. A questão da inclusão da pessoa com deficiência é ampla e envolve vários pontos como educação e direitos. Por isso faço as parcerias, pois cada um está ligado  numa determinada área da conclusão. Não adianta falar de inclusão da pessoa co deficiência  apenas dentro do que eu trabalho, é preciso que todos os pontos sejam aplicados, valorizados e respeitados. O Movimento Inclusão Já, por exemplo, luta pelos direitos da pessoas com deficiência. Um ajudando o outro, todos ganham. Unidos somos melhores.

8. Quais dicas você daria para quem quer unir fotografia com alguma ação de inclusão ou responsabilidade social?

R.: Antes de qualquer coisa coloque amor no que vai fazer. Respeite o ser humano com um todo, depois transforme tudo isso em arte, escreva com a luz, faça imagens que passe sua mensagem, de preferência de forma positiva mostrando o que há de melhor em cada pessoa.

9. Você enxerga seu trabalho como um “Desabafo Social”?

R.: Não sou nem pior e nem melhor que muitos colegas de profissão. Procuro fazer o meu melhor sempre. O trabalho da agência é uma forma de mostrar para sociedade que tudo é possível quando se tem determinação e boa vontade para fazer algo novo. Não precisa de muito investimento, porém é preciso ter muita paciência, nada acontece de um dia para outro. Para muitas pessoas com deficiência acaba sendo um desabafo, pois mostrou para sociedade que beleza é um assunto que também precisa  ser aceito  com  essa diversidade estética. No meu ponto de vista, acaba sendo um desabafo social. No começo fui chamada de louca por muita gente e os mesmos hoje estão me chamando de inovadora. Sei a volta por cima e provei que o projeto valeu a pena em todos os pontos, incluindo deixar um trabalho fixo, para montar uma agência com possibilidade rendimentos para todos os envolvidos. Muitas coisas ainda precisam ser feitas, o primeiro passo já foi dado, nossa caminhada é longa e temos disposição para continuar. Sempre estamos de portas abertas, para críticas, sugestões e elogios. Quanto mais pessoas estiverem envolvidas, melhores serão os resultados.