03 ferramentas para Instagram que todo influenciador precisa conhecer

Em 2016, a plataforma youPIXP lançou uma pesquisa sobre o mercado de influenciadores digitais no Brasil, realizada com a GFK, AirInfluencers e o Meio&Mensagem. Em um universo de 230 mil influenciadores, 31,9% estão no Instagram, 31,3% Facebook, 20,5% Twitter e 16,2% no Youtube.

O Instagram é a principal plataforma dos influenciadores na atualidade e por isso compartilho com vocês três principais ferramentas para ajudá-los na produção de conteúdo e engajamento nesta rede social.

1. Social Rank

@desabafosocial
@desabafosocial

Você já parou pra pensar quem são os influenciadores que te seguem? Ou melhor, quais dos seus seguidores tem maior engajamento? Lembrando que engajamento não é apenas um grande número de seguidores, mas também de curtidas, comentários e outras interações em sua rede.

Com esta ferramenta você poderá classificar seus seguidores em categorias (mais influentes, mais envolvidos, melhores seguidores, mais seguidos, seguidores recentes, seguidores antigos etc) e filtrá-los de acordo com a localização geográfica, hashtags, número de seguidores e muito mais.

Além disso, poderá exportar os resultados da análise para CSV ou PDF.

2. ScheduGram

O jeito mais simples para agendar as postagens no instagram. Com o ScheduGram você pode compartilhar contas entre sua equipe, facilita a colaboração e poupa muito tempo.

3. Union Metrics

UNIONCom o Union você sabe o melhor dia e horário para publicar, suas hashtags com maior engajamento, foto mais curtida, média de likes por publicação e analisa seus 3 maiores fãs, ou seja, pessoas que mais interagem com suas publicações.

Cara gente branca…

Sobre a série Dear White People, da Netflix.

  1. Cara gente branca, a série não é sobre vocês. Nem tudo é sobre vocês. Superem! Apesar da série ser bem didática, tem coisas que só pessoas negras vão entender.
  2. Cara gente branca, parem de usar a justificativa do “o nome afasta as pessoas”. O nome não afasta as pessoas, só dão nome as coisas. Como a braquitude não se enxerga enquanto grupo racial e o branco é considerado padrão, colocar branco/a no final de frases é só dizer que você é branco e só. Afinal, vocês sempre falam assim:
    “Que negra linda”.
  3. Cara gente branca, parem de fazer textos de defesas. Não se sintam acuados, porque falar sobre racismo não é individualização, é estrutura.
  4. Cara gente branca, para de colocar tudo em caixinha. A série mostra o quão complexos somos. Somos diversos. E vocês insistem em dizer que o movimento e as pessoas negras são homogêneas. OMG!
  5. Cara gente branca, parem de vitimismo! Onde já se viu, vocês não já disseram que racismo não existe? Como é isso agora?
Primeiro e, talvez, único depoimento sobre o Profissão Repórter

Esse talvez seja meu único texto a respeito da minha participação no Profissão Repórter. Então, vamos lá!

15 de fevereiro de 2017. A primeira reportagem não dá para esquecer. Ainda mais se é uma pauta que você sugeriu, gravada em sua terra e com o profissional que você admira tanto, que nunca imaginou que um dia iriam trabalhar juntos.

Estava super preocupada, claro! Tudo poderia dar errado para uma menina sem experiência que iria estrear em rede nacional. Mas a parte boa é que:

  1. A ideia do Profissão Repórter é essa: jovens jornalistas que não tem experiência
  2. E como disse o jornalista Felipe Gutierrez ” uma das vantagens do Profissão Repórter é  que o programa permitem que as coisas deem ‘errado’. Havia uma compreensão de que tentativas frustradas de uma entrevista podem ser até mais reveladoras do que a própria entrevista”.

Então me acalmei.

Como Jéssica Ellen falou: “Vá com o pé esquerdo. O pé que fica do mesmo lado do coração”. E fui!

Ontem, depois da minha estreia , percebi que:

1. A exigência comigo será 4x maior. Além de ser mulher, negra, jovem tem o fato da minha história com o Desabafo Social e coisas afins. Logo, as pessoas acreditam que as mudanças na televisão brasileira são instantâneas só pela minha simples presença. Então, se acalmem aí, porque se vocês não estão cansados, eu estou.

2. Existe uma linha muito tênue entre linguagem adequada e que é utilizada pela militância e o que a maioria dos brasileiros vão entender. Isso é exercício que só quem está nas duas posições sabe que precisa fazer.

3. Como diz Lázaro, não temos que dá conta de tudo. Um único negro não dará conta de tudo e tudo bem. Sigo com ele!

4.­ Nem toda mudança precisa ser verbalizada e muito menos publicada nas mídias sociais. Respirem aí!

5. Estou feliz e não tenho porque não ficar.

6. Vai um poema:

Messias,
Disseram que você iria voltar
E essa demora toda
É pra me castigar?
Messias,
Aqui eles confundem as coisas
Têm certezas de outras
E só porque nosso nome começa com M
Querem também me crucificar
Messias,
Como se não bastassem as opressões que já tenho
Eles só sabem
Cobrar, pautar, demandar
E nada sabem sobre
Abraçar, convidar e passear
Messias,
Os meus e os estranhos fazem a mesma coisa
Só querem colocar mais carga
E nada de dividir o peso
Acha que só um negro vai dá conta
Me diz,
Onde desligo o botão
Marcar, mencionar e solicitar?
Messias,
O bastão está nas minhas mãos
Mas propositalmente
Poderei deixá-lo cair
Se a tempo você não chegar.

Seremos a primeira geração a praticar Black Money

Estava lendo uma entrevista super polêmica (pode ser falsa ou não) concedidapor um Líder Judeu, onde ele afirmava que as sociedades dos negros tem uma economia muito atrasada, pois nós estamos focados em consumir produtos dos colonizadores, ao invés de construir nossas próprias riquezas.

As estatísticas mostram que o dinheiro judeu deve trocar de mãos 18 vezes antes de deixar a sua comunidade, enquanto para os negros é provavelmente um máximo de uma vez ou mesmo zero. Apenas 6% de dinheiro negro volta para sua comunidade.

Isso me deixou pensativa. Se , de acordo com o Data Popular, a comunidade negra movimenta em média 1.5 trilhão por ano, pra onde vai o dinheiro? Quais mãos? Pensar sobre isso não é ser mercenária e muito menos esquecer que o capitalismo alimenta o racismo e/ou vice-versa. Mas aprendi uma coisa muito simples com Lázaro e compartilho com vocês:

Enquanto discutirmos apropriação cultural apenas na estética, perderemos o jogo. Eu quero entender por que Neguinho do Samba, o criador do Samba Reggae, morreu sem dinheiro para comprar um caixão. Pra onde vai o dinheiro? Quem ganha dinheiro com uma criação nossa?

Sempre fiquei agoniada com a fala de alguns amigos e professores do bairro do Corredor da Vitória, Stella Maris e afins (bairros ricos de Salvador). Eles dizem:

Não vamos pensar em dinheiro. Temos que acabar com o capitalismo!

Concordo em partes. O capitalismo nos mostra todos os dias que não está dando certo. Mas é muito fácil ser anti-capitalista morando no Corredor da Vitória ou qualquer bairro milionário do Brasil.

Como Thamyra Thâmara disse, a juventude de favela, sobretudo negra, tem que se espremer entre pagar as contas e não morrer de bala perdida. Pra nós, a conta sempre chega. Seja em forma de boleto ou forma de bala, tiro.

Só a título de curiosidade, a população negra nos Estados Unidos corresponde a 13%. O mesmo que no estado do Rio Grande do Sul. Quero dizer que, mesmo o processo de escravidão e pós escravidão nos EUA tenha sido diferente, os EUA mostra que é possível ter bancos, universidades, hospitais e tudo feito por e para a comunidade negra. E nós, 54% da população brasileira que consume mais de 1 trilhão por ano, também podemos!

Sei que é difícil. Culturalmente, sempre uma única pessoa negra era escolhida na Casa Grande. Mas é possível o Black Money. A Kumasi, a Ebony English o Afrôbox, a Batekoo, Circuito Rolezinho e diversas outras iniciativas existem para mostrar que o caminho é esse: Desenvolvimento econômico para base da pirâmide. Precisamos de mais e mais estratégias para migrações econômicas (hackear espaços) e empoderamento econômico.

Eu sigo confiante no que Lucas Santana sempre me diz:

Seremos a primeira geração a praticar Black Money!

Mas não podemos esquecer daqueles que nos antecederam. Desde os tempos da compra de alforrias à Feira Preta, por exemplo, existe há 15 anos e já vem exercitando Black Money. Talvez, seremos a primeira geração a reconhecer a importância disso. Senão for assim, teremos mais Neguinhos do Samba, Cartolas e outros criadores negros morrendo sem dinheiro pro caixão.

É possível mudar o mundo?

Após a criação do Desabafo Social e do boom de produção de conteúdo nas redes sociais, comecei a fazer a pergunta que leva o título deste texto: É possível mudar o mundo?  Eu realmente não sei a resposta. Mas o caminho que venho traçando, tem deixado indícios de possibilidades, ou melhor, esperança.

Tomei várias decisões difíceis e importantes para a continuidade ou o fim do trabalho que venho fazendo. E uma das decisões está relacionada a traçar caminhos reais para transformar algo ou alguma coisa. Seja a comunicação, educação, cidade e afins. E antes de chegar a conclusão, me questionei:

Monique, para disputar as narrativas, qual seria a melhor estratégia no momento?

Foi a partir deste questionamento que entendi a importância dos textões do Facebook, mas tinha consciência que poderia ocupar outros espaços onde as mensagens ressoassem mais rápido, alcancem um maior número de pessoas e a mudança acontecesse em curto ou médio prazo.

E por estar nesses espaços, reforcei algo que sempre comentei com amigos e pessoas mais próximas:

Não é necessário verbalizar e publicizar tudo que você faz.

O único risco que corro é sentar na cadeira do réu no tribunal das redes sociais. Mas estou bem tranquila. Afinal, as mudanças estão acontecendo, mas nem todas pessoas estão com olhos, mentes e corações abertos para enxergar. Eu faço o que acredito que é necessário fazer com as ferramentas que tenho. Fui aprendendo a enxergar onde deveria concentrar os meus esforços.

Mas compartilho com vocês alguns sinais de esperança.

No dia 21 de março, Dia Internacional contra a Discriminação Racial, o Desabafo Social lançou uma campanha #BuscaPelaIgualdade, convidado os bancos de imagem a repensarem os seus algoritmos de busca.

O experimento, retratado em quatro vídeos reais, mostra a busca por expressões nos bancos de imagens. Para o termo “pessoa”, procurado no Depositphotos, quase que a totalidade das imagens que aparecem é de pessoas brancas. Se a busca for por “pessoa negra”, os resultados mostram imagens de negros. Os resultados foram iguais ou muito parecidos nas buscas por outros termos. No iStock, a palavra buscada foi “pele”; no Shutterstock, “família”, e no Getty Images, “bebê ,”.

Depois desta ação, com mais de 5 milhões de interações nas redes sociais em 7 dias e sem gastar um centavo para impulsionar publicações, os bancos de imagem nos responderam. Conversamos sobre o racismo escondido nos algoritmos de busca e o que eles iriam fazer depois disso. O único banco que não nos respondeu foi o iStock, mas para nossa felicidade, eles começaram a mudar sua estratégia de comunicação e já é possível ver algumas mudanças em seus algoritmos.

Esse indício de esperança me deixou feliz ao saber que é possível mudar algo, inclusive os algoritmos dos maiores bancos de imagem do mundo.

Parafraseando o escritor Doc Comparato, 30% das pessoas admiram meu trabalho, 30% odeiam, 30% não emitem nenhum tipo de opinião e, apenas 10%, sabem quem eu sou. Vou um pouco mais longe. Há quem goste e não goste da minha pessoa por diversos motivos, há quem não aceite o lugar que estou ocupando e há quem não gosta do meu jeito de estar no mundo: hackeando por dentro.

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O melhor de tudo isso são os aprendizados. Destaco alguns;

  1. Nenhuma ação precisa anular a outra. Não existe modo certo de fazer algo, existe o fazer.
  2. Muita gente vai opinar sobre suas decisões. Agora é só treinar os ouvidos e o coração para saber descartar aquilo que te paralisa e deixar ficar aquilo que te movimenta.
  3. Não permito que , em nome do coletivo, descartem e adoeçam minha individualidade.
  4. Alguns mundos já estão mudando, por exemplo, o meu. Mas também daquelas pessoas que estão com olhos, corações e mentes abertas e atentas para enxergar as mudanças a olho nú.
  5. Reforço – Não é necessário verbalizar e publicizar tudo que você faz. Estou tão em paz com isso.

 

 

A bolha das consultorias sobre diversidade

Você já foi em algum evento e tomou um choque com as pessoas que estavam participando? Seja por entender que as pessoas não tinham ligação com tema, seja pela falta de diversidade? Já?

Na era da curadoria do conhecimento, onde o que importa é saber garimpar o que é fundamental para aquele momento, conhecer pessoas é a principal função dos curadores.

Ao escolher determinado grupo/projeto/pessoa e afins, o curador está dizendo que: esse grupo/projeto/pessoa vai gerar um impacto incrível neste contexto. E o impacto não pode estar exclusivamente atrelado a inclusão, mas também a uma estratégia de negócio.

A inclusão é importante, mas nem todas empresas compactuam com este pensamento. Porém, se mostrarmos que a falta de diversidade significa menos dinheiro no bolso, as coisas podem mudar.

Poderia dá alguns exemplos de empresas que começaram a entender isso. Mas ainda pecam em exercitar a diversidade apenas na base da pirâmide.

As 500 maiores empresas brasileiras possuem 13,6% dos quadros executivos são compostos por mulheres e 4,7% por negros.

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Fonte: Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Instituto Ethos
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Fonte: Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Instituto Ethos

Antes a justificativa das empresas para não contratarem pessoas negras era a ausência de qualificação profissional. E agora que, com as cotas raciais, a quantidade de jovens negros que ingressam no ensino superior em 2013 foram 50.937 e em 2014, 60.731, qual é a justificativa?

Fonte: Proporção de universitários negros | Pnad/2014

Enquanto as empresas não entenderem que além de justiça social, a diversidade é sinônimo de valor competitivo, a estrutura corporativa não vai mudar.

Evelle Consultoria surgiu por conta dessas inquietações e mais algumas. O que percebi é que as consultorias que tratam sobre a diversidade, não tem diversidade. Geralmente são homens falando da importância de ter mulheres, são brancos falando sobre os negros, são heterossexuais falando sobre os homossexuais. Há algum problema nisso? Pode ser que não. Mas a fórmula da vivência com os estudos trazem resultados maiores para o cliente. Falar apenas pela lente de um observador, trazem resultados limitados.

Sem contar que os curadores dos grandes eventos vivem numa bolha e não conseguem dialogar com as diferentes searas e grupos da sociedade. Logo, afirmam não encontrar pessoas negras, mulheres, LGBTs e as demais “minorias sociais”, para determinados eventos. Isso reflete na ausência de diversidade nos espaços. Para estourar essa bolha, é importante contratar pessoas com sensibilidade e propriedade para enxergar além dos muros que a cercam.

Por isso, nossa equipe é composta por pessoas que têm propriedade para falar sobre relações raciais e gênero. Os freelancers são contratados para complementar a diversidade que falta em nossa equipe e de acordo com a demanda do cliente.

A Evelle Consultoria desenvolve serviços de educação e marketing através de práticas empreendedoras para empresas, instituições de ensino e governos.  Seu braço de educação está preocupado em despertar as habilidades do futuro e no marketing preocupa-se em co-criar estratégias para conectar os valores das marcas com as necessidades do público-alvo. Através de nossos serviços e projetos lutamos por um mundo em que o consumo não seja sinônimo de exploração ou excesso e para que cada pessoa se sinta representada e atendida pelos serviços e produtos que consome.
Surgimos para estourar a bolha das consultorias sobre diversidade.
Futuro: Tendências e manutenção do racismo

No final de 2016 participei do Fórum do Amanhã onde o sociólogo italiano, Domenico de Masi, palestrou. E recentemente participei do Trainning Masterclass, realizado pela Youth Business International em parceria com Aliança Empreendedora, e a primeira palestra foi sobre o fim do emprego, com Rafael de Tarso, professor de Empreendedorismo e Inovação. O que essas palestras têm em comum? Falam sobre futuro.

Destaco as principais observações sobre essas palestras:

  • Brasil, um país pacífico e miscigenado
  • Economia compartilhada e experiência do usuário
  • Inteligência artificial
  1. BRASIL, UM PAÍS PACÍFICO E MISCIGENADO

homicidios-por-dia-brasil-israel-palestinaFalar das belezas naturais, exaltar o Brasil pacífico e se encantar com Gilberto Freyre. Foi assim que Domenico de Masi iniciou sua palestrar.

Começar uma palestra assim, já me deixa com um pé atrás. Mas ouvi até o final para não responder de forma equivocada.

Com seu olhar futurista, Domenico fala que o Brasil pacífico comparando com outros países que fizeram guerra. A exemplos da Itália, Áustria e Alemanha que provocaram duas guerras mundiais.

Tentei avisá-lo que o  Brasil mata mais que um país guerra. Segundo os dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública 2016, entre 2011 e 2015, foram 278.839 assassinatos. Destes, 58 mil morreram vítimas de crimes violentos e intencionais. Na Síria, um país em guerra, houve 256.124 mortes.

Sobre o argumento da beleza de um país miscigenado, Domenico utilizou Gilberto Freyre, que romantizou a escravidão em seu livro Casa Grande e Senzala.

2. ECONOMIA COMPARTILHADA E EXPERIÊNCIA DO USUÁRIO

Sem dúvidas os serviços de economia compartilhada vieram para ficar. Rafael de Tarso mostrou alguns exemplos e destacou que os consumidores não querem apenas comprar um produto. Querem viver a experiência daquele produto ou serviço.

Provavelmente você já usou Uber ou Airbnb, né?! Esses serviços nada mais é que economia compartilhada e experiência para o consumidor.

Mas isso não significa que os velhos costumes, as violações de direito não ocorram.

De acordo com o estudo realizado pela National Bureau of Economic Research, órgão americano de pesquisas relacionadas à economia, se você é uma pessoa negra você espera 35% mais tempo por um Uber. E se você for homem negro, as chances da corrida ser cancela só aumenta. E se for reservar uma casa na Airbnb, sua chance é 16% a menos, segundo a pesquisa da Harvard Business School.

Ruas estreitas, ladeiras e algumas vias de terra. “Ninguém quer subir o morro. Nem a Uber para ganhar dinheiro”, conta Henrique Deloste, líder comunitário da Brasilândia, distrito da periferia da zona norte de São Paulo.

Parafraseando Túlio Custódio, em serviços como esses, a reputação (perfil do usuário) chega antes da experiência começar.

3. INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Há quem tenha receio, há quem ache incrível. Mas seria bom termos um robô para nos ajudar nas coisas, né?!

O único problema é que, se o robô interagir com os humanos, ele irá absorver comportamentos humanos. Humanos não são apenas paz e amor. Isso a Tay, robô da Microsoft , percebeu em menos de 24h.

Em apenas um dia, o robô da Microsoft começou a reproduzir comentários racistas, machistas e homofóbicos nas redes sociais.

Por que será?

Pois bem, esses três pontos não são pessimistas. Não estou negando a importância dessas tecnologias e evoluções. Mas é importante destacar que os avanços estão acontecendo e com eles a manutenção do racismo, machismo e sexismo. E enxergar os lados da moeda, pode servir de base para tentarmos resolver a raiz do problema.

Indico dois grandes textos que trazem insights sobre o futuro, sem esquecer das questões sociais e culturais.

  1. O futuro da periferia ou a periferia do futuro?
  2. O Momento Iridium e o Futuro
  3. Coworking: tendência ou dor de cabeça?
  4. Dinheiro não embranquece ninguém e a nova classe média é a prova disso

 

Coworking: tendência ou dor de cabeça?

Para quem não conhece, coworkings são escritórios compartilhados vistos como uma revolução para pequenas empresas, profissionais freelancers e autônomos. É um ótimo espaço para quem quer ter um local para trabalhar, sem pagar muito caro por isso e ainda fazer networking.

Mas nem tudo são flores. Darei dois exemplos.

O Instituto de Mídia Étnica é uma organização da sociedade civil que está há mais de dez anos realizando projetos para assegurar o direito humano à comunicação e o uso de ferramentas tecnológicas a grupos socialmente excluídos, principalmente os afrodescendentes.

Eles têm uma casa de três andares no bairro Dois de Julho, centro de Salvador. O prédio conta com um espaço AfroHacker (que oferece atividades de robótica para crianças, jovens e adolescentes negros), um mini auditório, a redação do portal Correio Nagô e o Ujamaa, um coworking que tem como objetivo reunir empreendedores negros e de periferia.

Na língua africana Swahili a palavra Ujamaa significa “economia cooperativa”. O nome não foi escolhido ao acaso: a ideia dos fundadores é fomentar o empreendedorismo local e formar o “Vale do Dendê”, transformando a Bahia em um importante polo tecnológico.

O coworking tem wifi, local para reuniões, e descontos em cursos e seminários nas áreas de gestão e negócios. Para usar, você pode pagar mensalidades que variam de R$ 100 (40 horas por mês) a R$ 350  (plano master). Há ainda a possibilidade de alugar a sala de reunião por R$ 35 a hora pu uma estação de trabalho por R$ 25h a hora.

Em frente à casa do grande escritor Jorge Amado, no bairro do Rio Vermelho está a NOSSA: Casa Colaborativa. É muito maior que um coworking, a casa toda é colaborativa. A NOSSA oferece espaços para vivências, cursos e aulas; um coworking (R$ 80 a R$ 500), sala de reunião e pátio com cozinha compartilhada e área de convivência.

O que essas iniciativas tem em comum?  Valores acessíveis,  com boa estrutura de trabalho, mas as pessoas não frequentam.

O Ujaama Coworking foi pensando para um público específico: afroempreendedores.

  • Será que isso interfere na forma de ocupação?
  • Será que o público está sintonizado com as novas reconfigurações do trabalho e novos modelos de economia?
  • A criação do coworking antecede a formação da base da pirâmide, ou o contrário ou simultâneo?
  • Fazedores planejam o que vão fazer ou apenas fazem?
  • Se apenas fazem, por que ocupar um coworking?
  • Até que ponto um coworking é útil para esse público?

A NOSSA: Casa Colaborativa é aberta para fazedores, start-ups e afins.

  • Este público prefere coworking tradicionais e não uma casa colaborativa?
  • Preferem o que está a mais tempo no mercado do que a novidade?
  • Mas empreendedores não gostam de novidades? Não são criativos? Não é tudo colaborativo e com propósito?

Para responder essas perguntas  Camila Godinho, da NOSSA, acredita que

Existe uma diferença entre espaço compartilhado e espaço colaborativo. O que tenho visto é que é mais “fácil” usar o espaço compartilhado, aonde você paga uma taxa e não precisa se envolver. E é mais difícil viver um espaço colaborativo, pois é preciso envolvimento. Apesar de estarmos vivendo um momento de transição, em que cada vez mais colaboramos, co-criamos, atuamos em parceria, a mudança no modelo mental de posse/acesso ainda é um processo lento e o desafio é diário!

São muitas dúvidas. Mas coworking é sem dúvidas uma pequena parte da reconfiguração do trabalho na atualidade. E como todas tendências e movimentos há controvérsias. À respeito disso, há quem defenda que as novas configurações do trabalho restringem as leis trabalhistas, são incompatíveis com os empreendedores corporativos nas organizações e geram conflitos geracionais.

Fazendo uma pesquisa rápida no meu Facebook a maioria das pessoas afirmaram que utilizariam coworking para realizar trabalho diário, fazer apenas networking, participar de cursos e treinamento e fazer reuniões. Então, por que as pessoas não estão no coworking, já que os preços são acessíveis?

Em Salvador, alguns coworking fecharam e outros estão buscando formas de continuar abertos.

A dúvida é a seguinte:

  • É um problema cultural de um público específico?
  • É um problema cultural de Salvador?
  • Ou do Brasil?
Amor e negócios podem dar certo

Foi em maio de 2015. Sai com Fernanda Cabral, co-fundadora do Imagina Coletivo e madrinha do Desabafo Social, numa sexta a noite, mesmo estando super cansada. Antes da despedida ela me convidou para um evento da Liga Universitária de Empreendedorismo, que aconteceria no dia seguinte. Sábado às 10h. Briguei para não ir, mas fui (ainda bem!).

A primeira pessoa que encontrei foi um rapaz que estava na recepção. E a segunda foi Lucas Santana. Nem abracei, nem beijei, nem conversei direito, mas senti que seria meu futuro amigo, namorado e sócio. Sério!

Não entrarei em detalhes sobre como foi o evento e pós evento. A parte mais importante estava para acontecer no dia 04 de julho de 2015 quando começamos a namorar. É, foi rápido, eu sei. Mas eu disse no parágrafo anterior que seria assim.

Lucas Santana Kumasi Dudu Assunção
Foto: Dudu Assunção

Estamos há 1 ano e 7 meses juntos e aos poucos vou desvendando os talentos desse menino. Lucas é o melhor profissional de comunicação e marketing digital que conheço. Um nerd da tecnologia, que transborda poesia em suas declarações e olhares. Um equilíbrio que a menina de Oyá gostaria de ter ao lado.

Lucas sabia que era negro. Mas quando nos juntamos ele passou a entender o que é ser um homem negro da cidade baixa em Salvador. Ou melhor, entendeu o que é ser um dos pouquíssimos negros e da periferia participando da Liga Universitária de Empreendedorismo. O único que ficava nas reuniões até depois das meia noite e não tinha como voltar pra casa, pois não tinha carro e ônibus não passava mais. Entendeu tanto  que juntos criamos a Kumasi – marketplace e suporte para empreendedores afrodescendentes.

Lembro que no início escrevi…

Carta aberta aos amigos do meu namorado

Não sei como os colegas deles reagem ao que Lucas faz hoje. Mas ele não liga.

Uma vez o jornalista Rosenildo Ferreira perguntou como era trabalhar com o namorado. Respondi da seguinte forma:

Não é tão difícil. Além da nossa cumplicidade como namorados e amigos, temos muita sintonia quando falamos de negócios. As habilidades de Lucas complementam as minhas e juntos somos uma potência. Ele é o melhor profissional que conheço nas áreas de comunicação e marketing digital e me enxerga como alguém que consegue facilmente criar pontes e acordos com qualquer pessoa. Quando vejo os resultados incríveis do nosso trabalho, eu penso que poderíamos ser apenas namorados ou apenas sócios, mas sendo namorados e sócios é muito melhor, e não só eu agradeço, mas a sociedade também.

Tenho consciência que sou boa nas atividades que costumo desempenhar. Com Lucas, estou apenas potencializando isso e aprendendo coisas que não passava em minha cabeça.

Lembro que um amigo/irmão dele o encontrou e disse:

Cara, X me parou na rua para falar que você tava se dando bem. Estava fazendo sucesso e tudo mais.

Pois é. História parecida com a minha. Ninguém levava fé na gente.

Acabo de abrir um negócio que nasce do Desabafo Social como uma forma de levar o impacto das ações desta organização para outros instrumentos de poder e decisão da sociedade. Não sei como e quando irei lançar. Mas já convidei Lucas para ser parte da comunicação e marketing. Ele aceitou <3

Monique Evelle e Lucas Santana - Dudu Assunção - Kumasi
Foto: Dudu Assunção

Enfim… Tudo isso pra dizer que parcerias existem. E amor e negócios podem dar certo. E como disse:  penso que poderíamos ser apenas namorados ou apenas sócios, mas sendo namorados e sócios é muito melhor, e não só eu agradeço, mas a sociedade também.

Choque de realidade para quem quer empreender

Nem todas pessoas estão preparadas para enxergar que empreendedorismo não é só um mar de flores. Nem todas pessoas querem enxergar além da bolha. Por isso, se decepcionam facilmente com casos parecidos com o da Bel Pesce, conhecida como “a menina do Vale”.

Assistam esses três TEDx para refletir se seu propósito realmente faz algum sentido.

Renato Meirelles, presidente do Instituto de Pesquisa Locomotiva, foi fundador e presidente do Data Favela e do Data Popular, onde conduziu diversos estudos sobre o comportamento do consumidor emergente brasileiro, atendendo as maiores empresas do Brasil. Especialista em mercados emergentes do Brasil, foi colaborador do livro “Varejo para Baixa Renda”, publicado pela Fundação Getúlio Vargas, e é autor dos livros “Guia para enfrentar situações novas sem medo” e “Um País chamado Favela”. Em 2012, fez parte da comissão que estudou a Nova Classe Média, na Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República. No Data Popular conduziu diretamente mais de 300 estudos sobre o comportamento do consumidor emergente brasileiro.

[O TÍTULO SERÁ CORRIGIDO: O mito de ser feliz fazendo o que ama]

Monique Evelle é bacharel em Política e Gestão da Cultura pela UFBA, fundadora da organização Desabafo Social e da Kumasi, marketplace para empreendedores afrodescendentes. Com 22 anos, Monique coleciona prêmios e participação em grandes eventos como TEDxRioVermelho, TEDxSãoPaulo, Social Good Brasil, Conectados al Sur, Educação 360,Prêmio Laureate Brasil e outros. Monique é considerada uma das 25 mulheres negras mais influentes da internet no Brasil e está na lista de mulheres inspiradoras 2015 da Think Olga. Faz parte do conselho consultivo da plataforma U-Report e da produção de MC Soffia.

Marco Gomes foi aluno da Universidade de Brasília (UnB) em Computação. O speaker ,mostra inicialmente, um contexto sobre o Vale do Silício e como esse local, mesmo tão distante, mudou completamente a sua realidade. Marco Gomes revela que os dados de estatísticas devem ser usados como retrovisor e não como um trilho que delimitarão onde você irá chegar.