Por que chorei, em pleno carnaval, ouvindo a entrevista de MC Loma?

Se você não conhece MC Loma, dá uma pesquisada na internet e ouça Envolvimento, primeiro lugar no mundo entre os 50 virais do Spotify.

Anitta, cantora e empresária, convidou MC Loma e as Gêmeas Lacração para cantar com ela. Foi o suficiente para viajarem para São Paulo e assinar contrato com a gravadora Start Music. E agora as meninas têm um clipe produzido por Kondzilla, dono do maior canal do YouTube mais seguido do Brasil.

Joguei no YouTube MC Loma, coloquei o fone e apertei o play. O que me fez chorar, foi apenas uma frase dita por Loma numa entrevista para o Diário de Pernambuco:

Eu era muito humilhada, me chamavam de feia quando eu passava

 

Assim como ela, os apelidos racistas por conta do meu cabelo e minha pele me deixavam pra baixo, claro! E olha que eu tenho uma mãe e um pai maravilhosos que sempre conversaram sobre isso comigo e contavam histórias de princesas negras para melhorar minha autoestima. Mas o racismo é perverso e mesmo se tentando algum tipo de prevenção, ele acontece e nunca estaremos preparados.

Costumo dizer para alguns amigos próximos que a trilha sonora da minha vida até o momento é a música Império, de Glória Groove.  O motivo é simples.

“Viver no mundão, tá ligado que é caso sério
Dando a cara a tapa e às vezes sem ter critério
Levar o legado sendo parte do mistério
Trabalhar pra prosperar
Ascensão do império!”

Eu sei exatamente quando devo expor o que estou fazendo e quando preciso ficar em silêncio para dar continuidade ao que venho fazendo. E sei que muitas coisas acontecem e aconteceram comigo porque eu estava em movimento.

“Olha, meu mano
Primeiramente graças a Deus tô viva!
Não dá pra saber o que vai acontecer
Quando cê vive nessa vida
Marginalizada, fraca, estagnada
Porém abençoada por alguém maior do que eu!”

Sim! Eu sou mulher preta, tenho que conviver com o racismo e machismo todos os dias da minha vida, mesmo não querendo. Para essa sociedade, eu me pareço suspeita. Sou alvo.

“Hmmm, e olha só como o jogo virou!
Do nada cê liga a TV
Nóis tá na Globo!
E abre espaço pras donas sem torcer o nariz!
Que elas já chegam no estilo Imperatriz!”

Em uma entrevista no programa do Jimmy Kimmel, a atriz Viola Davis disse que fuça a vida de seus antigos amigos racistas para descobrir se são fracassados. Eu nunca tinha feito isso, até então. Depois disso resolvi procurar saber de alguns amiguinhos. E sim pessoal, o jogo virou.

“Especialista em destruição
Examina! (Hmm)
Encabeçando a revolução
Eis a mina! (Aaau!)
Pronta pro combate
Só causando alarde
As inimiga late
Consciência limpa
Tô fazendo a minha parte!
Autoridade!
A dama que se fez respeitada!
Dignidade!
Do tipo que entra e sai consagrada!
Não tem mais jeito!
Vai ter que mostrar respeito!
Nem fica bolado
Se olhar pro lado
E ver meu império crescendo!”

A melhor coisa é a saber que o império não está sendo construído sozinho e não é só meu.

E pra finalizar, salve a música Moleque Atrevido, de Jorge Aragão.

 

03 coisas que disseram que preto não podia, e eu fiz

Por Monique Evelle

Quem me conhece de verdade, tipo de verdade mesmo, sabe que tenho um grande vício: colecionar agendas (moleskines). Tenho tantos, mas tantos que não sei nem onde colocar. Mas desde criança faço isso. Inclusive, com 11 ou 12 anos escrevi tudo que queria realizar na vida. Na época parecia impossível. Depois de 10 anos minha mãe achou minha agenda e eu chorei tanto quando ouvi ela lendo pra mim. O choro fácil tem uma justificativa simples: 90% do que estava escrito eu consegui antes dos 23.

Tinha uma frase que hoje dou muita risada, mas na época era meu foco (preparem-se para rir).

Não quero fotos com meus ídolos, quero ser amiga deles.

E não é que hoje meus ídolos realmente são meus amigos? Se na infância essa frase foi motivo de chacota, hoje ela é motivo de risos de felicidade. Mas vamos ao que interessa:

Intercâmbio não é pra gente

Sou de uma geração que cresceu com a imagem da Disney na cabeça. Querendo pelo menos andar naquela montanha russa ou visitar o Castelo de Harry Potter. Quando fazia as contas de quanto gastaria com passagens, hospedagens e afins, sempre desanimava. Então, o meu encanto com a Disney passou bem rápido, mas bem rápido mesmo, porque a conta não fechava.

Quando via alguns conhecidos e amigos indo viajar para estudar línguas em outro país ou até mesmo passar férias, o encanto também passava rápido.

Afinal, além da falta de dinheiro, como sobreviver em um país que você nem sabe falar a língua?

Sempre colocaram dificuldades para que nossos desejos fossem diminuindo rapidamente. Mas chega um dia que chega e esse dia chegou. Estou aqui, no meu intercâmbio, estudando e fazendo business na Califórnia.

Sai do Vale do Silêncio, agora estou no Vale do Silício.

Televisão não é pra gente

Nunca me senti representada quando assistia TV. Hoje, pelo menos, temos algumas pessoas aparecendo que me deixam mais acolhida, sabe?!

Na faculdade iniciei com Engenharia Ambiental. Larguei. Fui para Direito. Larguei também. Serviço Social nem frequentei aula. Formei no Bacharelado Interdisciplinar em Humanidades com ênfase em Política e Gestão da Cultura. Mas exerço a profissão de repórter, no Profissão Repórter. 2017 foi só minha primeira temporada. O começo de muitas.

Sim, minha cara preta vai continuar aparecendo as quartas-feiras depois do futebol.

Escrever livros não é pra gente

Quem me ver assim segura, nem imagina o quanto a síndrome do impostor vai e volta. Quando recebi o convite de Djamila Ribeiro para escrever para coleção Feminismos Plurais, claro que fiquei feliz. Mas imediatamente fiz a pergunta pra mim mesmo:

Será? Será que sou a pessoa certa pra isso? Será que consigo?

Tive que sair do colégio para começar a me enxergar nas literaturas. Afinal, ou procurava outras referências ou surtava diante de tanta negação da minha história, da nossa história.

Exatamente hoje, existirei menos no facebook para focar no meu primeiro livro e apostar em novos projetos (sim tem mais novidades que serão divulgadas só em 2018).

#CoisaDePreto

3 respostas de empreendedores que me deixam envergonhada

BlackPeopleMeet.com é o maior site de namoro preto para solteiros negros nos EUA. Fundado em 2002, a BlackPeopleMeet construiu a maior comunidade de solteiros afro-americanos à procura de amor, relacionamentos, amizade e datas. No Brasil, temos o Afrodengo, criado em 15 de janeiro de 2017, pela incrível jornalista Lorena Ifé. E no 15 de setembro de 2012, surgiu o Tinder. Ou seja, os pretos americanos um passo a frente, porém a visibilidade é outra, não é mesmo?

Mas enfim, tudo isso pra dizer que algumas respostas me deixam envergonhada.

Empreendedor/a realmente acredita que é o centro do Universo

Quando pergunto para um/a empreendedor/a quais são seus principais concorrentes, fico impressionada com a resposta.

Nunca vi ninguém fazendo o que faço!

Às vezes fico na dúvida se a resposta é por ingenuidade ou narcisismo mesmo.

Poderia até ser ingenuidade quando a informação sobre o tema não chega. E a ingenuidade leva à ignorância repetitiva e à respostas como essa acima. Mas se a pessoa tem acesso à informações, frequenta cursos e eventos sobre empreendedorismo e afins, convive com outros empreendedores, tem um olhar um pouco mais aberto para o que acontece em sua volta, tem polegar opositor funcionando, deve, pelo menos, desconfiar que alguém faz algo igual ou semelhante ao seu.

Não precisamos ir muito longe pra saber que em alguma parte do Universo, pessoas tem ideias parecidas com as nossas. Logo, esqueça essa síndrome do “eu sou o único” e coloca o pé no chão.

Dá uma Google em termos relacionados ao seu projeto ou negócio. Utiliza hastags  nas principais redes sociais pra ver se encontra algo. Faz uma pesquisa no INPI pra ver se já foi registrado o nome que você queria utilizar em sua empresa ou projeto.

O que está entre a ignorância e narcisismo é o acesso a informação. Uns realmente não tem. Outros têm, mas acham feio e invisibiliza o que não é espelho.

Todo projeto social acha que vai ser fácil conseguir patrocínio com empresas

Quando a pergunta é “Como vai ganhar dinheiro?”, de 10 projetos que passaram por mim, 10 fizeram um discurso mais ou menos assim:

Vou mostrar para as empresas o quanto o meu projeto é importante pra elas e pra sociedade

Essa romantização do vou mostrar à luz e ela conhecerá a verdade, não funciona!  Tenha em mãos seu belo plano de negócios, um ótimo pitch (discurso de baleiro – apresentação de 10 minutos ou menos), uma boa preparação e se não souber rezar, aprenda!

Empreendedores não conseguem se diferenciar

Tudo bem que a frase acima foi bem radical. Desculpa! Mas eu canso de ouvir de empreendedores que seus respectivos negócios são especiais porque:

Foi pensado com o amor e eu amo demais o que faço!

 

Geeeeeente!! Milhares de pessoas devem falar isso. O que torna seu negócio especial é o que o torna diferente. Mas se tenho 100 empreendimentos de brigadeiros e os 100 foram pensados com o amor e dono/a ama o que faz, qual a diferença entre os 100? Nenhuma!

Não é fácil encontrar essa diferença. Mas nada é fácil né? Pare um pouco, pense e estude antes de sair dando respostas como essas.

Não vamos encontrar respostas prontas e fórmulas mágicas. Mas podemos sair da obviedade.

Tragédia de Mar Grande e minha incapacidade de morar sozinha

Provavelmente você teve conhecimento da tragédia que aconteceu no dia 24 de agosto de 2017, durante a travessia Mar Grande – Salvador. Se você é da Bahia, deve ter visto na TV imagens e entrevistas de dor e sofrimento, com direito a trilha sonora no fundo. Além de péssimo, é brega. Se você é de fora, deve ter visto muitas especulações na internet e várias incertezas na TV.

Não quero falar sobre os possíveis responsáveis da tragédia, nem de quantas vezes os movimentos sociais de Vera Cruz denunciaram a situação das lanchas. Não me sinto confortável para falar das famílias das vítimas e muito menos dos sobreviventes. Meu bom senso não permite explorar até o último choro de um trauma que, provavelmente, não passará tão cedo.

A travessia, as condições das embarcações e os corpos no mar, não deixam minha mente desvincular da imagem do Navio Negreiro. Afinal, Mar Grande fica no município de Vera Cruz (BA), considerado em 1500 o Novo Mundo aos olhos dos portugueses que se tornou velho, mesmo sendo a 30 minutos da quarta maior capital do Brasil: Salvador!

Posso dizer que depois de ter pego a primeira lancha, no primeiro horário, pós tragédia e vendo o corpo de um senhor sendo trazido pelo mar até meus pés, consegui sentir o gosto da água salgada e do desespero que é tentar viver. A posição dos braços abertos, como se quisesse dizer: “Eu estou aqui!”, me fez voltar no dia 03 de março de 2015, quando vivi um desespero desse, em menor escala, enquanto fazia Raffiting em Itacaré (BA). Era carnaval e aniversário de minha mãe quando meu bote virou e minhas tentativas de salvação foram frustradas com o bote em cima da minha cabeça. Para minha felicidade, acordei em cima de uma pedra e só isso que lembro para contar.

Revivi tudo que já passei e que não superei. Pulei covas e mais covas para enterrar um menino de 6 meses. Minha última lembrança de cemitério foi há 11 anos, quando , mesmo não querendo, tive que dizer adeus a minha avó. O meu respeito e medo pelo mar, teve que ser superado sem eu está preparada, porque fiz a travessia inúmeras vezes e tentando fazer com que o medo não se igualasse ao tamanho da minha dor.

E depois de tudo isso, volto pra minha casa. Minha nova casa, vazia, sem ter alguém me esperando para abraçar. Afinal, preciso aceitar que estou em outro momento da minha vida. Uma vida adulta.

Depois da tragédia de Mar Grande, só confirmei minha incapacidade de morar sozinha. Não porque não sei cozinhar direito – não que isso não seja verdade – , nem porque preciso fazer tudo ao mesmo tempo para deixar a casa um ambiente legal de respirar. Mas porque eu sofro todas as vezes que não posso comentar com meus pais, que moram em Salvador, sobre o que está passando naquele momento na TV. Porque sinto falta dos gritos que minha mãe dava quando colocava a comida na mesa e eu demorava de sair do quarto. Ou quando chegava em casa e contava tudo que aconteceu no meu dia e meus pais estavam ali me escutando atentos. Dói voltar pra casa depois de vivenciar tragédias e dores que o mundo fora do ninho nos oferece e não ter quem abraçar quando chegar em casa. E o pior de tudo, é saber que você não vai conseguir dormir tão cedo, porque as imagens não saem da sua cabeça, e seus pais não estarão com você fisicamente para te acalmar. Você não será ninada até o sono chegar.

Talvez o nome disso não seja incapacidade. Apenas uma transição da vida adulta. Ou quem sabe um clichê romântico de dá importância a quem está com você agora. São tantas possibilidades e tentativas de traduções para dizer que eu sinto saudades de morar com meus pais. E não quero vivenciar mais tragédias para lembrar disso. O que me tira um sorriso do rosto é saber que eu e meus pais nos falamos todos os dias por telefone e toda ligação termina em: eu te amo!

LÍVIA e a humanização dos corpos negros

Por que ao espetáculo LÍVIA é um dos melhores que já  vi? A resposta poderia ser simples, se as pessoas interpretassem da mesma forma que a gente tenta passar. Como isso não acontece, vou explicar rapidinho.

Observem essas imagens:

Imagine que eles estão fazendo um espetáculo. O que você vê? O que , provavelmente, a peça fala?

A descrição poderia ser: Atores interpretando um casal ou monólogo, falando da vida e as consequências das nossas escolhas.

Agora observem essa imagem:

Sol Menezzes e Licínio Januário
Sol Menezzes e Licínio Januário

A descrição (viciada) poderia ser: Atores NEGROS interpretando um casal e falando sobre RACISMO.

Tem uma parte do livro “Na minha pele”, de Lázaro Ramos, que fala que mesmo querendo esquecer que somos negros, alguém nos lembra. Ou seja, Sol Menezzes e Licínio Januário não são apenas excelentes atores. São excelentes atores negros. Porque não existimos sem essa terminologia.

Pela primeira vez nos meus 22 anos, assisto um espetáculo com direção e elenco negro e que a mensagem final não envolva racismo. Podem ter vários, mas nunca vivenciei.

Sentada naquela cadeira, só consegui enxergar dois atores fazendo simplesmente uma peça que me arrancou lágrimas com um roteiro incrível e uma encenação impecável.

Esses dois atores trouxeram humanidade pra mim, pra nós pretos e pretas. Eles mostraram que somos tão reais quanto outras pessoas que não precisam utilizar a terminologia negro/preto. Além disso, mostraram com esse texto que nem só das demandas do racismo e dos racistas vive uma pessoa negra. Trouxeram situações das nossas vidas, as escolhas , o amor, a rotina.

Obrigada Sol, Licínio e toda equipe por mostrar que:

  1. As militâncias são distintas e têm coisas que não precisamos sempre verbalizar. A nossa existência em determinado espaço mostra a nossa luta. Vocês no atuando no palco dos Parlapatões mostram isso.
  2. Como sempre digo, começamos a militância como Malcom X e depois a gente entende o que Martin Luther King quer dizer. LÍVIA me pega pelo diálogo, me embala pelos braços e faz a mensagem chegar em todas pessoas.
  3. PESSOAS NEGRAS TÊM HUMANIDADE. Eu falo sobre outras coisas, além de racismo. Eu tenho uma vida, além da luta antirracista.

6 coisas que entendi e aprendi fora do Facebook

Fiquei apenas 7 dias sem o Facebook e, de verdade, não senti falta. Não teve um momento que desejei voltar, mas voltei.

Voltei porque diversas pessoas em São Paulo, que nem sabiam que estava fora da rede social, me pararam para falar dos resultados daquilo que andei escrevendo, publicando e divulgando. Uma que participou de um curso porque divulguei. Outra que se encontrou num texto meu. E mais outra que conseguiu um freela depois de conversamos um pouco por inbox.

Enfim, vamos aos aprendizados:

  1. Não basta a pessoa demandar coisas pelo inbox e comentários no Facebook. Se a única missão dela é pedir, exigir e cobrar, ela fará isso em qualquer rede social. Deve ser mesmo difícil assumir que é inconveniente
  2. Sem o Facebook aprendi a usar opções Ocultar, Bloquear e Recusar no Instagram. E acreditem: Essas opções sãos as melhores para gerenciar tempo e melhorar sua saúde mental.
  3. A pessoa não vai mandar mensagem perguntando se você está bem, vai mandar mensagem cobrando você de alguma coisa. Por que você saiu? Você viu aquilo? O que você acha? Você precisa conhecer isso? E por aí vai..
  4. É tanta gente criando hipóteses equivocadas que agradeço pelo site Ego não existir mais. Por que teriam tantas manchantes cômicas, para não dizer trágicas. e tendenciosas. E não passa na cabeça de ninguém que sair do Facebook é um direito e escolha.
  5. Se uma das funções do Facebook é interagir, por que não excluir pessoas que não interagem para adicionar aquelas que você gostaria de interagir? Voltei para fazer isso, sem sofrimento 🙂 Apesar das pessoas entenderem que desfazer amizade no Facebook é motivo para não falar pessoalmente e fim de papo, quem quer apenas ver minhas coisas para amar ou odiar, pode fazer isso apenas como seguidores <3 Menos pessoas tóxicas, please!
  6. Entendi que preciso voltar, porque embora as redes sociais possam adoecer, elas também são responsáveis por encontros potentes! Foi aqui que encontrei muita gente incrível. E eu preciso estar perto delas, mesmo que apenas por aqui. Elas me inspiram, me animam, me trazem conforto com cada postagem e conversa por inbox.
A síndrome da reclamação e a oportunidade estagnada

Eventos de graça ou quase de graça e mesmo assim as pessoas não vão. O que falta para os empreendedores participarem das ações que estão surgindo?

Não tenho lugar para fazer minhas atividades. Então você consegue e a pessoa não vai.
Queria fazer tal curso, mas é caro. Então você consegue bolsa 50% a 100% e a pessoa não vai.
É muito longe o evento, se fosse perto iria. Então você faz no bairro e a pessoa não vai.
Não vou porque não vai ninguém interessante. Então você chama um convidado que a pessoa adoraria estar perto trocando figurinhas e a pessoa não vai.

O que acontece para que as pessoas só reclamem das ausências e ignorem as oportunidades?

Não gosto de justificar nada dizendo que é algo cultural. Até porque cultura é convenção, criação humana que pode ser alterada. Mas terei que apelar pra isso e dizer que pode ser cultural.

Os movimentos sociais, por exemplo, são pautados na reclamação. Primeiro identificam o problema e vão  reclamar, gritar e exigir soluções. Poucos são aqueles que identificam o problema, pensam numa possível solução e compartilham com os demais. Talvez a síndrome da reclamação venha daí. Isso não significa que reclamar seja uma coisa ruim, mas não é o suficiente e talvez nem justo, quando se têm iniciativas e soluções surgindo, mesmo que de forma descentralizada.

Os eventos que o Desabafo Social e eu têm feito, o público comparece. Que bom! Mas mesmo aparecendo uma única pessoa, temos que fazer com aquela pessoa.
Terei que citar Projota, porque a música dele faz sentido agora.

Rimei pra 30 mil emocionadão, rimei pra meia dúzia a mesma emoção

E parafraseando o poeta Sérgio Vaz, não é preciso cultivar multidões.

Em um outro texto falei sobre os coworkings.  Fazendo uma pesquisa rápida no meu Facebook a maioria das pessoas afirmaram que utilizariam coworking para realizar trabalho diário, fazer apenas networking, participar de cursos e treinamento e fazer reuniões. Então, por que as pessoas não estão no coworking, já que os preços são acessíveis ou de graça? (Entre R$ 0 e R$ 100)

Em nosso imaginário e na realidade social as ausências são maiores que a abundâncias. Ainda mais quando há o recorte racial, de gênero e de classe. Mas quando a abundância chega, não deixem as síndromes da reclamação fechar seus olhos para isso.

Militância não é profissão, militância não é emprego.

Por Monique Evelle

Acredito que ninguém tenha dúvidas que as pessoas podem ser contraditórias, ainda mais da minha geração cheia de certezas e instantaneidades. Mas claro que todos podem mudar de opinião. Recentemente vi em algum lugar a seguinte mensagem:

É meu aliado quem ganha dinheiro falando de racismo?

 

Fiquei pensando o quanto as pessoas são equivocadas e jogam baixo, talvez até sujo. Vou trabalhar com exemplos.

Gabi Oliveira é formada em Relações Públicas pela UFRJ e criou o canal no youtube durante o TCC (Para quem não sabe o youtube é também uma plataforma de negócios). Consequentemente os temas que ela aborda em seu canal, por vivência e estudos, é sobre relações étnico-raciais.  Djamila Ribeiro é mestra em Filosofia pela UNIFESP e tudo que ela conseguiu de visibilidade se sustentou por conta da sua credibilidade, pautada nos seus estudos.

Logo, ganhar dinheiro é consequência do trabalho que elas desenvolvem com a profissão delas. A militância é uma parte da vida dessas pessoas. E por serem mulheres negras, falarão de questões raciais de forma consciente ou não.

A temática racial é transversal a qualquer outro tema: negócios, cultura, gênero, educação, comunicação e afins. Eu, por exemplo, enquanto mulher negra e ativista, tenho o meu lugar de fala e racializo o debate. Porém sou formada em Política e Gestão da Cultura e, atualmente, estou como repórter no Profissão Repórter. Não sou apenas Monique Evelle, a militante. Militância não é minha profissão, não é meu emprego. 

A romantização da pobreza me deixa um tanto angustiada. Não estou falando da camisa da Osklen escrita “Favela” e sim da necessidade gigantesca que os movimentos têm de querer continuar enxergando a periferia como único território possível pra nós. E olha com estranheza qualquer negro que romper com isso.

Lázaro Ramos falou algo que levo pra vida.

Luto para não viver sob a demanda do racismo e dos racistas

E acrescento que luto para não viver sob a demanda da militância. Sabemos que nascer mulher negra já é sinônimo de resistência. Eu resisto! E parafraseando Jéssica Ipólito, não estou disposta a ser a carne machucada, desgastada e morta viva. Quero poder exercer minha individualidade sem precisar pedir permissão, porque sei exatamente da minha responsabilidade ancestral e o compromisso que tenho com as coisas que tenho desenvolvido e com a comunidade negra.

A parte boa é que não existe apenas um tipo de militância. Uns vão pela estética, outros criando coletivos de debates, outros pagando o boleto do ENEM de uma irmã, indicando alguém para um emprego, divulgando o trabalho da galera etc.

E voltando a pergunta…

É meu aliado quem ganha dinheiro falando de racismo?

 

Quem questiona dessa forma acredita piamente que militância é profissão, militância é emprego. E acredite, quem fatura através do racismo não são os negros.

Mas como nem todo preto é irmão, nem toda mulher te apoia e nem todo branco é seu inimigo, discordar faz parte. O problema é quando as certezas alheias anulam e apagam existência e o histórico de estudos, trabalho e caminhada de outra pessoa, sobretudo negra.

O pior de tudo é que esses tipos de comentários são sempre dirigidos para mulheres negras. Homens negros são isentos.

E reforço: precisamos continuar dando nomes as coisas:

  1. Racismo não é bullying
  2. Relacionamento abusivo não é prova de amor
  3. Inveja não é crítica.

Aproveitem e leiam:

Carta aberta aos homens negros

Ouçam a música que Rashid fez de tudo que os nossos falaram dele.

Você faz parte da marca do “Eu Também…”?

Fico só observando o quanto o empoderamento de algumas pessoas vão até a segunda página. São textões, gritos, berros e afins sobre a estrutura racista e esquecem que algumas práticas, estão contribuindo para manutenção dessa sociedade que tanto criticam.

Acabei de ler o texto “Encontre sua própria marca e pare de copiar o coleguinha“, de Daniela Gomes, e só li verdades e cheguei a seguinte conclusão:

As pessoas que mais copiam suas criações te acompanham nas redes sociais e fora delas, mas não interagem com você. Elas nunca vão te parabenizar publicamente. Apenas no inbox e olhe lá. E como você sabe que elas te acompanham? Elas visualizam nosso instagram stories , mais conhecido como snapgram.

Sempre ouço: o inimigo é outro! Sim, eu sei. Mas há quem contribua com o inimigo, não é mesmo?!

Parafraseando Ana Fontes..

Existem 100 empreendimentos sobre o mesmo produto/serviço e você quer criar o 101 se achando genial.

Qual o problema disso? Talvez nenhum, tirando a parte da ética e das contradições da sua militância. Mas, infelizmente é isso que tem acontecido a olho nú. Até porque a dinâmica é a seguinte:

Se fulano está ganhando visibilidade e dinheiro com isso, eu também quero.

Vamos fazer um teste se você faz parte da marca do “Eu Também..”

  1. Você queria criar uma marca de roupa, mas estava sem criatividade. Viu uma estampa interessante e achou interessante fazer igual para sua marca?
  2. Queria criar algo sobre empoderamento e viu alguma organização/coletivo fazendo ações que você também sabia realizar, então começou a realizar igual, só que outro nome?
  3. Você viu os parceiros do coleguinha e foi atrás na mesma hora para tentar fechar as mesmas parcerias?

Se você respondeu no mínimo duas vezes SIM, você é a marca do “Eu Também…”

Reinventar o nosso trabalho a cada cópia cansa e, enquanto comunidade negra, a gente nunca cresce. O que adianta dizer que nosso inimigo é outro, se você contribui com ele e não nos deixa crescer?

Não conseguiremos dá conta das xerox das nossas criações, mas espero que vocês parem. Sua luta anti-racista não adianta quando você troca a admiração e comemoração de um irmão/irmã preto/a por inveja a base de cópias.

Sim , inveja. Precisamos colocar o nome certo nas coisas. É inveja.

Ninguém cresce nesse jogo, e muito menos você.

Referência não é cópia
Nem status:
Disponível por tempo indeterminado.

Aproveitem e leiam:

3 erros que os empreendedores cometem quando estão começando

 

Militância, Subjetividade e Profissionalismo

 

Os melhores cursos online que já fiz

Se você nunca ouviu falar dos MOOCs (Cursos Online Abertos e Massivos/Massive Open Online Course), é melhor procurar saber. Os MOOCs democratizam o conhecimento através de cursos online que podem ser gratuitos. Além da oportunidade de ampliar conhecimentos, serve para o currículo e você consegue emitir certificado, caso aprovado nos exames finais de cada curso realizado.

  1. Ensino Híbrido: Personalização e Tecnologia na Educação

O curso foi feito pela Fundação Lemann e Instituto Península. Nele, você poderá conhecer diferentes experiências de uso integrado das tecnologias digitais e buscar inspiração para refletir sobre as práticas educativas.

O curso é gratuito e pode ser feito no site Coursera. O certificado custa U$ 26.00

2. Etnografia para Mídias Sociais

O curso é simplesmente incrível! Ele é dividido em quatro módulos, onde tem noções de  cultura e comunidades digitais até técnicas e ferramentas para coleta e análise de dados. Depois do curso você se sente apto para realizar mapas descritivos de comunidades, públicos e audiências nas mídias sociais.

O curso custa R$ 390 e pode ser divido em 3x. Se você trabalha com mídias sociais, faz um esforço, mas não deixe de fazer o curso.

3. Diplomado em Inovação Política

Se vocês estão dispostos a entender as transformações sociopolíticas, movimentos em rede, governo aberto, produção colaborativa, TICs para o desenvolvimento entre outros, este curso foi feito pra isso. É um curso pensado para aqueles que querem mergulhar em novas possibilidades de cidadania e democracia para o século XXI.

O curso custa U$D 300