05 aprendizados da minha primeira temporada no Profissão Repórter

A minha primeira temporada no Profissão Repórter passou tão rápido. Compartilho aqui meus primeiros aprendizados e ano que vem tem mais.

TUDO É VÁLIDO

Foi difícil entender que tudo é válido no Profissão Repórter. A negociação, a chegada, a busca, a fuga, o medo, a felicidade, enfim… tudo é válido! Então se é pra falar algo que seja à vera.

O BOM SENSO

Saber o momento de desligar a câmera sempre é motivo de dúvidas e crises. Em determinadas situações você não sabe se registra ou não. A única coisa que vai determinar isso é o bom senso do repórter.

A MEDIDA CERTA DO SILÊNCIO

A primeira pessoa que fui pedir socorro para tirar dúvidas de roteiro foi Luiz Bolognesi. Ele é o gênio do cinema que mais tinha proximidade na época. Ele disse que no cinema o silêncio é bastante utilizado, diferente de um programa jornalístico.

E é verdade. Jornalistas acham que para existir um reportagem, precisa necessariamente sempre ter falas.

Foi difícil encontrar a medida certa para dar sentido ao silêncio. Mas nas reportagens Naufrágios, Adoção e Feminicídio, só consegui falas e momentos incríveis, apenas em silêncio e olhando nos olhos de cada personagem.

AS DORES NÃO SÃO MINHAS

Durante as reportagens sempre tenho reações: nervoso, felicidade, medo etc. De alguma forma vou demonstrar o que estou passando naquele momento, porque não consigo controlar.

Mas para não chegar em casa e continuar sofrendo, o mantra que tem me salvador é: Essa dor não é minha. Não posso levar para casa as dores de cada personagem. Isso aprendi com a repórter Mayara Teixeira.

O QUE A MAIORIA VAI ENTENDER

Entrei no Profissão super preocupada em falar termos corretos e afins.  Porém, existem termos de militância que são incompreensíveis para muita gente. Sem contar que recebi o título de louca de alguns conhecidos, porque eles afirmam que as pessoas não assistem mais televisão. Então não faria sentido eu estar nas telas.

Por que você vai aceitar? As pessoas nem assistem mais TV.

Mas eles não sabem que 63% da população assistem televisão para se informar.  77% afirmam ver TV todos os dias da semana, com predominância de segunda a sexta-feira. O telespectador passa, em média, entre 60 e 120 minutos em frente à TV, segundo a Pesquisa Brasileira de Mídia 2016

pesquisa

Felizmente ou infelizmente, vivemos em bolhas e numa dualidade de achismos. Meu conforto é saber que minha voz se tornou caixa de ressonância nas reportagens que fiz. Desde racismo até feminicídio. E 63% dos brasileiros tiveram acesso a essas temáticas.